Robô construído em São Vicente leva Cabo Verde a mais um FIRST Global Challenge

Cinco estudantes cabo-verdianos, com idades entre os 15 e os 18 anos, partem no próximo domingo para Incheon, na Coreia do Sul, onde vão representar Cabo Verde no FIRST Global Challenge 2026. O centro da participação é um robô construído em São Vicente, nos laboratórios da UTA/ISECMAR, depois de centenas de horas de trabalho.No conjunto, a selecção integra dez estudantes, todos de São Vicente, provenientes de diferentes escolas secundárias da ilha e com idades entre os 14 e os 18 anos. Três raparigas e dois rapazes seguem para a Coreia do Sul, acompanhados por dois mentores universitários.O FIRST Global Challenge reúne anualmente equipas de mais de 190 países e funciona combinando competição e colaboração. As equipas recebem um conjunto padronizado de componentes e têm de desenhar, programar e construir um robô capaz de executar as tarefas definidas para cada edição. Este ano, o tema é a prevenção e o combate aos incêndios florestais.O robô cabo-verdiano foi construído de raiz pelos estudantes. O trabalho passou pelo desenho do chassis, pela montagem de sistemas de locomoção omnidireccional, de braços de captação mecânica e de um sistema de elevação. Em paralelo, a equipa de programação desenvolveu o código responsável pelo controlo dos motores e sensores e pelo comportamento autónomo. Há ainda estudantes envolvidos na comunicação e na logística da participação.Vasco Costa é o team mentor.“Este ano, optámos por uma solução mais eficiente, com tamanho menor, mas que consegue dar conta do recado. Diria que a maior novidade é o uso de April Tags. Esta tecnologia permite que coloquemos uma câmara no robô e este avise o condutor quando está na posição para começar a disparar”, afirma.A fiabilidade foi um dos critérios adoptados no desenvolvimento da máquina, num contexto em que substituir rapidamente uma peça pode ser muito mais difícil para a equipa cabo-verdiana.“Como não temos a facilidade de encomendar peças de substituição que cheguem no dia seguinte, a nossa principal métrica foi a fiabilidade. Escolhemos mecanismos de elevação simples e sistemas de transmissão directos para minimizar os pontos de falha mecânica durante os embates na arena”, comenta.Fazer caber todas as funções necessárias dentro do espaço disponível foi, segundo a equipa, o principal problema técnico.“O robô precisa de recolher as bolas, dispará-las para os armazéns e ainda conseguir subir numa barra de metal super lisa. Fazer tudo isso no espaço que temos exige muita criatividade, soluções bastante inovadoras, fora da caixa, diria eu”, declara.O trabalho ocupou tardes depois das aulas, fins-de-semana e feriados.“Estamos a falar de centenas de horas de trabalho. A equipa tem sacrificado fins-de-semana, feriados e finais de tarde, após as aulas regulares”, diz.A preparação deste ano ficou condicionada pelo atraso na chegada do kit oficial. Segundo a equipa, o material foi recebido apenas em Setembro, quando habitualmente chega em Julho. Apesar disso, a selecção parte com o objectivo de melhorar os resultados das edições anteriores.“Partimos com a ambição de superar as classificações anteriores de Cabo Verde e de sermos reconhecidos como uma das alianças mais fiáveis da competição. O objectivo concreto é chegar pelo menos aos play-offs, onde estarão as 24 melhores equipas, e, a partir daí, tentar chegar o mais longe que conseguirmos. Contudo, o fundamental é garantir que temos um robô que não falhe mecanicamente nos momentos críticos e que os nossos estudantes interajam, criem pontes e troquem conhecimentos com jovens de quase 200 países”, antecipa Vasco Costa.Cabo Verde participa no FIRST Global desde a primeira edição, realizada em Washington, em 2017. A equipa esteve posteriormente nas competições da Cidade do México, de Dubai, de Genebra, de Singapura, de Atenas e da Cidade do Panamá. As edições de 2020 e 2021 decorreram remotamente devido à pandemia.O projecto continua, para já, concentrado em São Vicente, mas tem uma visão “100% nacional”. A intenção é alargar a participação no futuro, através da associação que está a ser criada.A equipa aponta o encerramento dos laboratórios WebLab como uma oportunidade perdida para aumentar o contacto de estudantes de diferentes concelhos com a programação e a robótica.“Queremos também usar o mediatismo que a FIRST Global proporciona para provar que a robótica não é um luxo, mas uma ferramenta de educação básica. O objectivo futuro é criar núcleos de robótica nas escolas secundárias de todo o país para que o talento possa ser detectado mais cedo, partilhado e multiplicado”.A competição decorre entre 7 e 10 de Outubro, em Incheon. Antes disso, a equipa fará a apresentação oficial da delegação no TechPark do Mindelo, a 2 de Outubro.Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1296 de 30 de Setembro de 2026.

Robô construído em São Vicente leva Cabo Verde a mais um FIRST Global Challenge

Cinco estudantes cabo-verdianos, com idades entre os 15 e os 18 anos, partem no próximo domingo para Incheon, na Coreia do Sul, onde vão representar Cabo Verde no FIRST Global Challenge 2026. O centro da participação é um robô construído em São Vicente, nos laboratórios da UTA/ISECMAR, depois de centenas de horas de trabalho.

No conjunto, a selecção integra dez estudantes, todos de São Vicente, provenientes de diferentes escolas secundárias da ilha e com idades entre os 14 e os 18 anos. Três raparigas e dois rapazes seguem para a Coreia do Sul, acompanhados por dois mentores universitários.

O FIRST Global Challenge reúne anualmente equipas de mais de 190 países e funciona combinando competição e colaboração. As equipas recebem um conjunto padronizado de componentes e têm de desenhar, programar e construir um robô capaz de executar as tarefas definidas para cada edição. Este ano, o tema é a prevenção e o combate aos incêndios florestais.

O robô cabo-verdiano foi construído de raiz pelos estudantes. O trabalho passou pelo desenho do chassis, pela montagem de sistemas de locomoção omnidireccional, de braços de captação mecânica e de um sistema de elevação. Em paralelo, a equipa de programação desenvolveu o código responsável pelo controlo dos motores e sensores e pelo comportamento autónomo. Há ainda estudantes envolvidos na comunicação e na logística da participação.

Vasco Costa é o team mentor.

“Este ano, optámos por uma solução mais eficiente, com tamanho menor, mas que consegue dar conta do recado. Diria que a maior novidade é o uso de April Tags. Esta tecnologia permite que coloquemos uma câmara no robô e este avise o condutor quando está na posição para começar a disparar”, afirma.

A fiabilidade foi um dos critérios adoptados no desenvolvimento da máquina, num contexto em que substituir rapidamente uma peça pode ser muito mais difícil para a equipa cabo-verdiana.

“Como não temos a facilidade de encomendar peças de substituição que cheguem no dia seguinte, a nossa principal métrica foi a fiabilidade. Escolhemos mecanismos de elevação simples e sistemas de transmissão directos para minimizar os pontos de falha mecânica durante os embates na arena”, comenta.

Fazer caber todas as funções necessárias dentro do espaço disponível foi, segundo a equipa, o principal problema técnico.

“O robô precisa de recolher as bolas, dispará-las para os armazéns e ainda conseguir subir numa barra de metal super lisa. Fazer tudo isso no espaço que temos exige muita criatividade, soluções bastante inovadoras, fora da caixa, diria eu”, declara.

O trabalho ocupou tardes depois das aulas, fins-de-semana e feriados.

“Estamos a falar de centenas de horas de trabalho. A equipa tem sacrificado fins-de-semana, feriados e finais de tarde, após as aulas regulares”, diz.

A preparação deste ano ficou condicionada pelo atraso na chegada do kit oficial. Segundo a equipa, o material foi recebido apenas em Setembro, quando habitualmente chega em Julho. Apesar disso, a selecção parte com o objectivo de melhorar os resultados das edições anteriores.

“Partimos com a ambição de superar as classificações anteriores de Cabo Verde e de sermos reconhecidos como uma das alianças mais fiáveis da competição. O objectivo concreto é chegar pelo menos aos play-offs, onde estarão as 24 melhores equipas, e, a partir daí, tentar chegar o mais longe que conseguirmos. Contudo, o fundamental é garantir que temos um robô que não falhe mecanicamente nos momentos críticos e que os nossos estudantes interajam, criem pontes e troquem conhecimentos com jovens de quase 200 países”, antecipa Vasco Costa.

Cabo Verde participa no FIRST Global desde a primeira edição, realizada em Washington, em 2017. A equipa esteve posteriormente nas competições da Cidade do México, de Dubai, de Genebra, de Singapura, de Atenas e da Cidade do Panamá. As edições de 2020 e 2021 decorreram remotamente devido à pandemia.

O projecto continua, para já, concentrado em São Vicente, mas tem uma visão “100% nacional”. A intenção é alargar a participação no futuro, através da associação que está a ser criada.

A equipa aponta o encerramento dos laboratórios WebLab como uma oportunidade perdida para aumentar o contacto de estudantes de diferentes concelhos com a programação e a robótica.

“Queremos também usar o mediatismo que a FIRST Global proporciona para provar que a robótica não é um luxo, mas uma ferramenta de educação básica. O objectivo futuro é criar núcleos de robótica nas escolas secundárias de todo o país para que o talento possa ser detectado mais cedo, partilhado e multiplicado”.

A competição decorre entre 7 e 10 de Outubro, em Incheon. Antes disso, a equipa fará a apresentação oficial da delegação no TechPark do Mindelo, a 2 de Outubro.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1296 de 30 de Setembro de 2026.