Igualdade racial acima da política

O Brasil é campeão em descontinuidade de políticas públicas. Aqui é muito comum: quando um gestor toma posse, a primeira atitude é apagar o que o outro começou. Isso acontece mesmo quando ambos são do mesmo partido. Parece haver uma pressa em desmontar a iniciativa ou a obra do antecessor. Semana passada, porém, pude presenciar […] O conteúdo Igualdade racial acima da política aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Igualdade racial acima da política

O Brasil é campeão em descontinuidade de políticas públicas. Aqui é muito comum: quando um gestor toma posse, a primeira atitude é apagar o que o outro começou. Isso acontece mesmo quando ambos são do mesmo partido. Parece haver uma pressa em desmontar a iniciativa ou a obra do antecessor. Semana passada, porém, pude presenciar em São Paulo uma iniciativa municipal que provou o contrário dessa máxima.

Vi uma política em prol da comunidade negra no combate ao racismo que ajudei a criar há dez anos na passagem pelo poder público não só continuada, mas fortalecida, ampliada e multiplicada na atual gestão do prefeito Ricardo Nunes. Fui convidado para festejar os dez anos do primeiro CRPIR – Centro de Referência de Promoção da Igualdade Racial. É um espaço com assessoria jurídica, psicológica, de saúde e outros serviços direcionados à população negra, localizado em uma das regiões mais carentes da cidade, Cidade Tiradentes. O Centro é gerido pela ONG Espaço Negro-GEN, que tem como principal liderança a psicopedagoga Ednalva Moura, referência histórica do Movimento Negro.

Pude dividir o palco e os aplausos de uma iniciativa pioneira que nasceu com quatro equipamentos e hoje chega a quatorze na atual administração. Outra diferença importante: hoje o CRPIR conta com recursos próprios repassados pela prefeitura. Bem diferente do início, quando a manutenção dependia de um convênio com o BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.

“Ao longo desses 10 anos, o CRPIR Cidade Tiradentes se consolidou como um pilar fundamental no combate ao racismo, na garantia de direitos e no acolhimento da população periférica”, ressaltou Elaine Gomes, Secretária Executiva Adjunta de Igualdade Racial da Cidade de São Paulo. E completou: “Nossa missão continua firme: promover a igualdade racial, combater o preconceito e fortalecer a nossa gente todos os dias”.

Foi a prova de que o racismo não tem fronteira de classe social, gênero, idade ou ideologia. E que a luta pela igualdade também não pode ter. Quando a pauta é dignidade, é possível superar divergência política. É possível manter, ampliar e fazer com que uma política pública dure mais que um mandato.

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