Protesto anti-imigração na África do Sul pode agravar-se - jurista

O especialista em Direito Internacional, Comparado e Constitucional disse que as manifestações e tensões sociais no país da África Austral, associadas à imigração ilegal, podem intensificar-se em 04 de maio, devido ao apelo da 'Operação Dudula' de concentração em massa para forçarem os imigrantes a "abandonarem as suas vidas" no país."A polícia [sul-africana] está em decadência total, praticamente a totalidade da gestão da polícia está suspensa por causa de acusações de gravíssima corrupção e uma grande parte da força da polícia faz parte [ou] está integrada no crime organizado de raptos e furtos", salientou, acrescentando que as autoridades não têm meios para intervir.Thomashausen considerou que "o clima de insegurança no país é muito grave", relembrando que há 10 anos houve vítimas "queimadas até à morte" para mostrar aos imigrantes que não são bem-vindos.As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos e distúrbios, por parte de grupos anti-imigração como a 'Operação Dudula' e 'March and March', especialmente nos bairros mais vulneráveis.Na terça e quarta-feira, multidões saíram às ruas em Joanesburgo e na capital, Pretória, para se manifestarem contra os elevados níveis de imigração ilegal.Os grupos anti-imigração, que negam as acusações de xenofobia, exigem a aplicação rigorosa das leis de imigração e deportações em massa.O Consulado da Nigéria em Joanesburgo anunciou, na segunda-feira, que dois cidadãos nigerianos residentes no país foram mortos devido às tensões xenófobas crescentes.A Embaixada de Angola e da Nigéria na África do Sul, bem como o Governo do Zimbabué e do Gana, apelaram aos seus cidadãos que vivem no país para evitarem deslocações, manterem a calma e agirem com prudência face às várias "manifestações e situações de tensão social" contra os migrantes.Na terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se preocupado com os relatos de "ataques xenófobos, atos de assédio e intimidação contra migrantes e estrangeiros em algumas partes da África do Sul" e condenou os "atos criminosos perpetrados por indivíduos que incitam a violência e exploram as condições socioeconómicas".Na segunda-feira, durante a celebração do Dia Nacional da Liberdade, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, condenou os recentes ataques que classificou de xenófobos e pediu para que as preocupações com a imigração ilegal não resultem em ódio e ao confronto entre africanos.A Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (CADHP) também expressou "preocupação com os recentes relatos de violência xenófoba e atos de intimidação contra cidadãos de outros países africanos na África do Sul".Segundo um comunicado da CADHP, a comissão observou que os incidentes mais recentes fazem "parte de um padrão de longa data" no país, incluindo o assassínio de três estrangeiros em Joanesburgo em 1988, os ataques em todo o país em maio de 2008, que resultaram em mais de 60 mortes, 1.700 feridos e 100 mil deslocados, e a violência xenófoba em 2015, que obrigou a uma intervenção militar.A África do Sul abriga cerca de 3,95 milhões de migrantes, 6,5% da população, segundo dados do Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla inglesa). No entanto, o jurista acredita que haja muito mais migrantes no país, "pelo menos sete milhões, mas muito provavelmente até aos 12 milhões de estrangeiros".A maioria dos imigrantes são provenientes de países vizinhos como Lesoto, Zimbabué e Moçambique, que têm o histórico de fornecer mão de obra migrante para os países vizinhos mais ricos.Foto: depositphotos.com

Protesto anti-imigração na África do Sul pode agravar-se - jurista

O especialista em Direito Internacional, Comparado e Constitucional disse que as manifestações e tensões sociais no país da África Austral, associadas à imigração ilegal, podem intensificar-se em 04 de maio, devido ao apelo da 'Operação Dudula' de concentração em massa para forçarem os imigrantes a "abandonarem as suas vidas" no país.

"A polícia [sul-africana] está em decadência total, praticamente a totalidade da gestão da polícia está suspensa por causa de acusações de gravíssima corrupção e uma grande parte da força da polícia faz parte [ou] está integrada no crime organizado de raptos e furtos", salientou, acrescentando que as autoridades não têm meios para intervir.

Thomashausen considerou que "o clima de insegurança no país é muito grave", relembrando que há 10 anos houve vítimas "queimadas até à morte" para mostrar aos imigrantes que não são bem-vindos.

As tensões xenófobas são um problema recorrente na África do Sul e, frequentemente, têm resultado em ondas de protestos violentos e distúrbios, por parte de grupos anti-imigração como a 'Operação Dudula' e 'March and March', especialmente nos bairros mais vulneráveis.

Na terça e quarta-feira, multidões saíram às ruas em Joanesburgo e na capital, Pretória, para se manifestarem contra os elevados níveis de imigração ilegal.

Os grupos anti-imigração, que negam as acusações de xenofobia, exigem a aplicação rigorosa das leis de imigração e deportações em massa.

O Consulado da Nigéria em Joanesburgo anunciou, na segunda-feira, que dois cidadãos nigerianos residentes no país foram mortos devido às tensões xenófobas crescentes.

A Embaixada de Angola e da Nigéria na África do Sul, bem como o Governo do Zimbabué e do Gana, apelaram aos seus cidadãos que vivem no país para evitarem deslocações, manterem a calma e agirem com prudência face às várias "manifestações e situações de tensão social" contra os migrantes.

Na terça-feira, o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, mostrou-se preocupado com os relatos de "ataques xenófobos, atos de assédio e intimidação contra migrantes e estrangeiros em algumas partes da África do Sul" e condenou os "atos criminosos perpetrados por indivíduos que incitam a violência e exploram as condições socioeconómicas".

Na segunda-feira, durante a celebração do Dia Nacional da Liberdade, o Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, condenou os recentes ataques que classificou de xenófobos e pediu para que as preocupações com a imigração ilegal não resultem em ódio e ao confronto entre africanos.

A Comissão Africana dos Direitos Humanos e dos Povos (CADHP) também expressou "preocupação com os recentes relatos de violência xenófoba e atos de intimidação contra cidadãos de outros países africanos na África do Sul".

Segundo um comunicado da CADHP, a comissão observou que os incidentes mais recentes fazem "parte de um padrão de longa data" no país, incluindo o assassínio de três estrangeiros em Joanesburgo em 1988, os ataques em todo o país em maio de 2008, que resultaram em mais de 60 mortes, 1.700 feridos e 100 mil deslocados, e a violência xenófoba em 2015, que obrigou a uma intervenção militar.

A África do Sul abriga cerca de 3,95 milhões de migrantes, 6,5% da população, segundo dados do Instituto de Estudos de Segurança (ISS, na sigla inglesa). No entanto, o jurista acredita que haja muito mais migrantes no país, "pelo menos sete milhões, mas muito provavelmente até aos 12 milhões de estrangeiros".

A maioria dos imigrantes são provenientes de países vizinhos como Lesoto, Zimbabué e Moçambique, que têm o histórico de fornecer mão de obra migrante para os países vizinhos mais ricos.

Foto: depositphotos.com