Beyoncé aos 45: números revelam a força de uma das maiores artistas negras de sua geração
Levantamento do Ecad coloca “Halo” como a obra de autoria da cantora mais executada publicamente no Brasil nos últimos cinco anos. Artista completa 45 anos nesta sexta-feira (4) com mais de mil composições cadastradas no país. Se existe uma voz capaz de atravessar décadas, estilos e gerações sem perder relevância, Beyoncé certamente está entre elas. […] O conteúdo Beyoncé aos 45: números revelam a força de uma das maiores artistas negras de sua geração aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
Levantamento do Ecad coloca “Halo” como a obra de autoria da cantora mais executada publicamente no Brasil nos últimos cinco anos. Artista completa 45 anos nesta sexta-feira (4) com mais de mil composições cadastradas no país.
Se existe uma voz capaz de atravessar décadas, estilos e gerações sem perder relevância, Beyoncé certamente está entre elas.
Nesta sexta-feira, 4 de setembro, a artista completa 45 anos. E o Brasil tem bons números para mostrar o tamanho dessa relação.
Para celebrar o aniversário da cantora, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad) realizou um levantamento das obras de autoria de Beyoncé mais executadas publicamente no país nos últimos cinco anos.
No topo está uma velha conhecida dos brasileiros: “Halo”.
Lançada em 2008 no álbum I Am… Sasha Fierce, a balada composta por Beyoncé em parceria com Ryan Tedder e Evan Bogart ocupa a primeira posição entre suas obras mais executadas em segmentos como rádio, shows, música ao vivo, sonorização ambiental, casas de festas, Carnaval e festas juninas.
E não para por aí.
“Halo” também é a composição de Beyoncé com maior número de gravações cadastradas no levantamento: são 106 versões.
Quase duas décadas depois de seu lançamento, a canção continua encontrando novos públicos — uma demonstração da longevidade de um repertório que já faz parte da memória afetiva de diferentes gerações.
De “Irreplaceable” a “Diva”
Na segunda posição entre as obras mais executadas no Brasil aparece “Irreplaceable”, outro clássico dos anos 2000.
“Crazy in Love”, parceria com Jay-Z que marcou definitivamente a chegada de Beyoncé à carreira solo, ocupa o terceiro lugar.
Mas o ranking não vive apenas de nostalgia.
“Cuff It”, lançada em Renaissance, em 2022, aparece na quarta posição, mostrando que os trabalhos mais recentes da cantora conseguem dividir espaço com músicas que estão há mais de duas décadas no imaginário popular.
“Beautiful Liar”, “Perfect Duet”, “Say My Name”, “Ego”, “Break My Soul” e “Diva” completam as dez primeiras posições.
O resultado é quase uma viagem pela própria história artística de Beyoncé.
Há ali vestígios do Destiny’s Child, a explosão de sua carreira solo, grandes baladas românticas e músicas que representam fases mais recentes de experimentação e liberdade criativa.
Os números de uma carreira gigantesca
Os dados do Ecad ajudam a dimensionar uma produção que muitas vezes vai muito além das músicas conhecidas pelo grande público.
Beyoncé possui 1.113 obras musicais e 1.618 gravações cadastradas no banco de dados da gestão coletiva no Brasil.
É importante fazer uma distinção: o levantamento considera obras nas quais Beyoncé aparece como autora ou coautora. Uma obra musical corresponde à composição, enquanto uma gravação é uma versão registrada daquela música. Por isso, uma mesma composição pode possuir diferentes gravações.
Entre as músicas mais regravadas, “Halo” aparece novamente na liderança, seguida por “Crazy in Love”, “Telephone”, “Single Ladies (Put a Ring on It)” e “Listen”.
E tem brasileira nessa história
O levantamento também apresenta uma conexão curiosa — e afetiva — entre Beyoncé e a música brasileira.
Ludmilla aparece entre os intérpretes que mais possuem gravações de obras da estrela norte-americana cadastradas no banco de dados do Ecad: são 11 registros.
A relação ganha ainda mais significado quando lembramos que, no início da carreira, antes de se tornar uma das maiores artistas brasileiras de sua geração, Ludmilla se apresentava como MC Beyoncé.
De fã a estrela, a história também ajuda a dimensionar a influência que Beyoncé exerceu sobre uma geração de jovens artistas negras que cresceram vendo uma mulher negra ocupar o centro da indústria musical mundial.
Muito além dos números
Talvez seja justamente aí que um ranking deixe de ser apenas um ranking.
Aos 45 anos, Beyoncé ocupa um lugar que poucas artistas conseguiram alcançar.
Desde os tempos de Destiny’s Child até projetos como Lemonade, Renaissance e Cowboy Carter, sua trajetória foi marcada por reinvenções constantes e por uma ampliação cada vez maior do espaço dado à história, à estética e às referências da cultura negra dentro do pop.
Beyoncé transformou o próprio corpo, cabelo, ancestralidade, maternidade e identidade em elementos de uma construção artística que conversa diretamente com milhões de mulheres negras ao redor do mundo.
Também revisitou gêneros musicais historicamente atravessados pela presença negra e utilizou algumas das maiores plataformas da indústria para colocar essa história novamente no centro da conversa.
Por isso, sua influência não pode ser medida apenas em vendas, streams, Grammys ou posições em rankings.
Ela também está nas artistas que vieram depois.
Está nas meninas negras que cresceram vendo uma mulher parecida com elas comandar estádios.
E está, inclusive, a milhares de quilômetros de Houston, nos números divulgados agora pelo Ecad.
O Brasil escolheu “Halo” como a obra de Beyoncé mais tocada nos últimos cinco anos.
Mas, aos 45, talvez o maior sucesso da artista seja outro: continuar fazendo com que cada nova geração tenha uma Beyoncé diferente para chamar de sua.
As 10 obras de autoria de Beyoncé mais tocadas no Brasil
- “Halo”
- “Irreplaceable”
- “Crazy in Love”
- “Cuff It”
- “Beautiful Liar”
- “Perfect Duet”
- “Say My Name”
- “Ego”
- “Break My Soul”
- “Diva”
O conteúdo Beyoncé aos 45: números revelam a força de uma das maiores artistas negras de sua geração aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
