Maurício Rodrigues vence prêmio Executivo de Valor 2026 na categoria do Agronegócio

O Brasil reverencia pouco os seus. E quando esses “seus” fazem parte dos 56% da população que é negra, a régua da celebração fica ainda mais alta. Não basta ultrapassar todas as barreiras impostas pelo mercado: qualificação, performance, resultado. Depois disso, ainda vem a barreira da cor, sobretudo nos espaços de poder. Ali, onde se […] O conteúdo Maurício Rodrigues vence prêmio Executivo de Valor 2026 na categoria do Agronegócio aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Maurício Rodrigues vence prêmio Executivo de Valor 2026 na categoria do Agronegócio

O Brasil reverencia pouco os seus. E quando esses “seus” fazem parte dos 56% da população que é negra, a régua da celebração fica ainda mais alta. Não basta ultrapassar todas as barreiras impostas pelo mercado: qualificação, performance, resultado. Depois disso, ainda vem a barreira da cor, sobretudo nos espaços de poder. Ali, onde se decide, onde se consagra, onde se distribui prestígio, o corpo negro continua sendo exceção. E exceção, por definição, confirma que a regra ainda é branca.

Há quase dez anos, estive, a convite do meu amigo Theo Van der Loou, na mesma festas dos melhores executivos do país. Questionei ao amigo a ausência gritante de pessoas negras. Entre agraciados e plateia, mais de cem pessoas. Eu era o único negro naquele salão de poder. A queixa não morreu no cochicho: Theo levou o incômodo para o microfone. Ficou o registro, ficou o desconforto, ficou a pergunta: onde estão os nossos quando o país decide quem merece aplauso?

Quase uma década depois, estou eu na festa de premiação de Executivo de Valor. Desta vez, para aplaudir um dos nossos. Nesta noite de segunda-feira, no pomposo Rosewood, na Vila Matarazzo, vim prestigiar o maior executivo negro do Brasil no setor em que o país mais se destaca no cenário global: o agronegócio. Maurício Rodrigues venceu o prêmio Empresário de Valor do Ano na categoria Agronegócio. Mais do que ver um homem negro como eu no palco, o que emocionou foi a mesa. Estávamos ali, outros rostos pretos, para mostrar que Maurício não estava só. Era um de nós, por todos nós.

Presidente da Bayer para a área do Agronegócio da América Latina, Rodrigues tem se destacado como um dos maiores executivos que a gigante já teve em toda a sua história. A performance dele nos negócios é sentida dentro e fora do país. É orgulho para o Brasil e orgulho para a Bayer, empresa que há mais de dez anos mantém um dos programas mais avançados e coerentes de diversidade e inclusão do país.

Rodrigues construiu carreira sólida antes mesmo do BayAfro, grupo de afinidade racial da companhia. Ele já se destacava e consolidava sua carreira na empresa anterior. Hoje, também é uma das lideranças do BayAfro, porque acredita no óbvio que ainda precisa ser dito: só com união, diversidade e inclusão construiremos um país mais justo e igualitário.

Ver Maurício Rodrigues no topo não apaga a barreira da cor. Mas abre uma fresta. Mostra para o mercado, para os conselhos e para as próximas gerações que talento preto não se descobre apenas por cota, mas também com competência e oportunidades. Que poder preto não é exceção, é direito.

O Brasil ainda reverencia pouco os seus. Mas, nesta segunda-feira, aplaudimos alto. Porque, quando um de nós sobe, a régua sobe junto.

Parabéns, Maurício Rodrigues.

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