A democracia tem cor? A questão racial nas eleições de 2026.
Essa é uma pergunta que incomoda, ainda mais no período eleitoral, isso porque obriga o Brasil a se olhar no espelho, no momento mais importante do processo político. Claro, democracia não deveria ter cor, raça, gênero ou classe social. Deveria significar igualdade de direitos, liberdade de participação e possibilidade de todos disputarem, em condições iguais, […] O conteúdo A democracia tem cor? A questão racial nas eleições de 2026. aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
Essa é uma pergunta que incomoda, ainda mais no período eleitoral, isso porque obriga o Brasil a se olhar no espelho, no momento mais importante do processo político.
Claro, democracia não deveria ter cor, raça, gênero ou classe social. Deveria significar igualdade de direitos, liberdade de participação e possibilidade de todos disputarem, em condições iguais, os espaços de representação e poder.
Mas, não é isso que ocorre no Brasil.
Não basta saber quem vota. É preciso saber quem pode ser candidato, quem dispõe de recursos para fazer campanha, quem possui acesso às estruturas partidárias, quem consegue ocupar os meios de comunicação, e, sobretudo, quem consegue de fato se eleger.
É aí que a questão racial precisa deixar de ser uma pauta secundária e passar a ocupar o centro do debate democrático.
Os números do Tribunal Superior Eleitoral, deste ano,ajudam a dimensionar o tamanho do problema. As pessoas negras (pretas e pardas): representam aproximadamente metade das candidaturas para fins de distribuição dos recursos eleitorais. O dado demonstra uma mudança importante no perfil das candidaturas brasileiras, mas também revela que presença eleitoral não significa, acesso ao poder.
Essa distinção é fundamental. O racismo brasileiro não desapareceu porque a escravidão acabou. Ele apenas mudou de forma. Está presente no mercado de trabalho, na educação, na ocupação das cidades, no acesso à renda, na violência, na representação cultural e claro, na política.
É nesse último ponto que aparece uma das grandes questões das eleições de 2026: igualdade de direitos significa necessariamente igualdade de condições?
A destinação de recursos para candidaturas negras não significa garantir mandato. Não significa determinar o resultado das urnas. Daí a pergunta: que democracia é essa em que direitos formalmente iguais convivem com condições historicamente desiguais de acesso ao poder?
Ela nos obriga a olhar para dentro dos partidos políticos. Para as direções partidárias. Para os critérios de distribuição dos recursos. Para a construção das chapas. Para o tempo de propaganda. Para as redes de apoio. Para a visibilidade pública.
Repito – A população negra não pode ser apenas eleitorado. Precisa ser sujeito político.
A questão racial precisa estar relacionada ao desenvolvimento econômico, à cultura, à ciência, à tecnologia, à educação, à comunicação, à inovação, ao trabalho, à ocupação das cidades e à distribuição do poder no país. Até porque, raça não elimina diferenças ideológicas, partidárias, regionais ou de classe.
Uma sociedade democrática deve ser plural.
Portanto, não se trata apenas de aumentar o número de candidatos negros. Trata-se de discutir se o sistema político brasileiro está efetivamente preparado para reconhecer a população negra como parte constitutiva do poder democrático.
Afinal, o racismo não acontece somente durante as eleições. Ele se manifesta no cotidiano das instituições e no dia a dia das pessoas. Os partidos precisam sercobrados não apenas pela quantidade de candidaturas negras que lançam, mas pelas condições que oferecem para que essas candidaturas possam disputar efetivamente.
É por isso que discutir raça nas eleições de 2026 não significa racializar artificialmente a política ou as eleições.
Daí que, no próximo dia 04 de outubro, nosso compromisso primordial deve ser com a democracia, mas também com as ações afirmativas para a população negra. Democracia não pode ser apenas o direito de votar ou disputar. Mas, também o direito de representar os interesses da maioria, que no caso do Brasil, é negra.
Toca a zabumba que a terra é nossa!
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