Abertura do Ano Judicial: Morosidade e eficiência da Justiça no centro dos discursos
Estas preocupações foram manifestadas durante a sessão solene de abertura do Ano Judicial 2026-2027, que contou com intervenções da Presidente da República interina do bastonário da Ordem dos Advogados de Cabo Verde, do presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, do procurador-geral da República em exercício e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça.A Presidente da República interina considerou que a morosidade processual permanece como uma das maiores preocupações do sistema judicial, apesar de todos os investimentos feitos ao longo dos anos. Janira Hopffer Almada defendeu ainda a necessidade de reforçar os meios humanos, melhorar a gestão judiciária e valorizar o mérito, de modo a aumentar a eficiência dos tribunais e reforçar a confiança dos cidadãos na Justiça.“Quando a tutela de um direito tarda excessivamente ou quando a solução de um conflito chega demasiadamente tarde, não é apenas a eficiência do sistema que é questionada, é a confiança do cidadão nas instituições que é colocar à prova”, salientou a PR interina.Neste sentido, afirmou que o combate à morosidade deve continuar a constituir uma prioridade nacional, com pleno respeito pelas garantias processuais e pela qualidade das decisões. A propósito, apontou o relatório sobre a situação da Justiça, que evidencia a necessidade de reforçar os recursos humanos, designadamente magistrados e oficiais de Justiça, consolidar os serviços de inspecção, melhorar a gestão judiciária e modernizar os meios tecnológicos.A Presidente da República interina destacou ainda a importância da supervisão e da avaliação, sublinhando a necessidade de assegurar condições para o cumprimento dessas funções, uma vez que a independência judicial e a responsabilidade profissional são fundamentais para a credibilidade da Justiça, respeitando a autonomia e as competências de cada instituição.Janira Hopffer Almada manifestou ainda o seu apoio à valorização do mérito, alinhando-se com a perspectiva defendida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, onde sublinhou que a melhoria do sistema judicial exige o envolvimento dos diferentes poderes e instituições da República.Por sua vez, o bastonário da Ordem dos Advogados de Cabo Verde manifestou preocupação com a redução da proporção de magistrados da primeira instância que cumpriram os objetivos fixados, de 77% no ano judicial 2024-2025 para 56% em 2025-2026, e pediu esclarecimentos sobre as causas.Júlio Martins também defendeu o reforço do financiamento da Justiça no Orçamento do Estado para 2027, tendo em conta os desafios do sector e a sua importância para o desenvolvimento do país. O responsável sublinhou ainda que o investimento deve ser acompanhado de uma gestão eficaz e de mecanismos de avaliação, para que os recursos disponibilizados pelo Estado se traduzam em melhorias concretas para os cidadãos, nomeadamente na redução da morosidade processual.O presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, Bernardino Delgado, reconheceu que a morosidade processual continua a ser um dos principais desafios da Justiça em Cabo Verde, defendendo um compromisso reforçado com a redução do tempo de espera dos cidadãos por decisões judiciais. Apontou também a necessidade de preservar a independência dos tribunais, face aos riscos de judicialização da política e de politização da Justiça.Não obstante os desafios, Bernardino Delgado considerou que existem razões para um “optimismo moderado”, fazendo um balanço positivo do funcionamento dos tribunais. Segundo o responsável, os resultados alcançados devem ser avaliados tendo em conta os meios disponíveis, a complexidade dos processos e o número recorde de entradas processuais, num ano em que a primeira instância funcionou praticamente em equilíbrio.O presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial apontou um conjunto de medidas para reduzir a morosidade processual e melhorar a capacidade de resposta dos tribunais, entre as quais o reforço do quadro de magistrados e o recrutamento de 25 oficiais de justiça.Entre as principais medidas, o responsável destacou a colocação de mais juízes nas comarcas do Tarrafal, de São Filipe e do Sal, bem como a instalação de um juiz administrativo no Tribunal da Comarca da Praia, tendo em conta o previsível aumento de processos nesta área.O procurador-geral da República em exercício, Alcindo Soares, que leu a comunicação do procurador-geral da República, em sua representação alertou para o aumento de 175 processos na pendência criminal , no último ano judicial defendeu uma maior responsabilização do Governo e da Assembleia Nacional no funcionamento da Justiça.Conforme disse apesar da redução da pendência em comarcas com maior concentração processual, como Praia, São Vicente, Santa Catarina, Santa Cruz e São Filipe, o resultado não foi suficiente para inverter a tendência a nível nacional, devido ao aumento registado noutras comarcas.Outro dos pontos centrais da comunicação foi a nomeação do novo procurador-geral da Rep
Estas preocupações foram manifestadas durante a sessão solene de abertura do Ano Judicial 2026-2027, que contou com intervenções da Presidente da República interina do bastonário da Ordem dos Advogados de Cabo Verde, do presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, do procurador-geral da República em exercício e do presidente do Supremo Tribunal de Justiça.
A Presidente da República interina considerou que a morosidade processual permanece como uma das maiores preocupações do sistema judicial, apesar de todos os investimentos feitos ao longo dos anos. Janira Hopffer Almada defendeu ainda a necessidade de reforçar os meios humanos, melhorar a gestão judiciária e valorizar o mérito, de modo a aumentar a eficiência dos tribunais e reforçar a confiança dos cidadãos na Justiça.
“Quando a tutela de um direito tarda excessivamente ou quando a solução de um conflito chega demasiadamente tarde, não é apenas a eficiência do sistema que é questionada, é a confiança do cidadão nas instituições que é colocar à prova”, salientou a PR interina.
Neste sentido, afirmou que o combate à morosidade deve continuar a constituir uma prioridade nacional, com pleno respeito pelas garantias processuais e pela qualidade das decisões.
A propósito, apontou o relatório sobre a situação da Justiça, que evidencia a necessidade de reforçar os recursos humanos, designadamente magistrados e oficiais de Justiça, consolidar os serviços de inspecção, melhorar a gestão judiciária e modernizar os meios tecnológicos.
A Presidente da República interina destacou ainda a importância da supervisão e da avaliação, sublinhando a necessidade de assegurar condições para o cumprimento dessas funções, uma vez que a independência judicial e a responsabilidade profissional são fundamentais para a credibilidade da Justiça, respeitando a autonomia e as competências de cada instituição.
Janira Hopffer Almada manifestou ainda o seu apoio à valorização do mérito, alinhando-se com a perspectiva defendida pelo presidente do Supremo Tribunal de Justiça, onde sublinhou que a melhoria do sistema judicial exige o envolvimento dos diferentes poderes e instituições da República.
Por sua vez, o bastonário da Ordem dos Advogados de Cabo Verde manifestou preocupação com a redução da proporção de magistrados da primeira instância que cumpriram os objetivos fixados, de 77% no ano judicial 2024-2025 para 56% em 2025-2026, e pediu esclarecimentos sobre as causas.
Júlio Martins também defendeu o reforço do financiamento da Justiça no Orçamento do Estado para 2027, tendo em conta os desafios do sector e a sua importância para o desenvolvimento do país.
O responsável sublinhou ainda que o investimento deve ser acompanhado de uma gestão eficaz e de mecanismos de avaliação, para que os recursos disponibilizados pelo Estado se traduzam em melhorias concretas para os cidadãos, nomeadamente na redução da morosidade processual.
O presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial, Bernardino Delgado, reconheceu que a morosidade processual continua a ser um dos principais desafios da Justiça em Cabo Verde, defendendo um compromisso reforçado com a redução do tempo de espera dos cidadãos por decisões judiciais. Apontou também a necessidade de preservar a independência dos tribunais, face aos riscos de judicialização da política e de politização da Justiça.
Não obstante os desafios, Bernardino Delgado considerou que existem razões para um “optimismo moderado”, fazendo um balanço positivo do funcionamento dos tribunais. Segundo o responsável, os resultados alcançados devem ser avaliados tendo em conta os meios disponíveis, a complexidade dos processos e o número recorde de entradas processuais, num ano em que a primeira instância funcionou praticamente em equilíbrio.
O presidente do Conselho Superior da Magistratura Judicial apontou um conjunto de medidas para reduzir a morosidade processual e melhorar a capacidade de resposta dos tribunais, entre as quais o reforço do quadro de magistrados e o recrutamento de 25 oficiais de justiça.
Entre as principais medidas, o responsável destacou a colocação de mais juízes nas comarcas do Tarrafal, de São Filipe e do Sal, bem como a instalação de um juiz administrativo no Tribunal da Comarca da Praia, tendo em conta o previsível aumento de processos nesta área.
O procurador-geral da República em exercício, Alcindo Soares, que leu a comunicação do procurador-geral da República, em sua representação alertou para o aumento de 175 processos na pendência criminal , no último ano judicial defendeu uma maior responsabilização do Governo e da Assembleia Nacional no funcionamento da Justiça.
Conforme disse apesar da redução da pendência em comarcas com maior concentração processual, como Praia, São Vicente, Santa Catarina, Santa Cruz e São Filipe, o resultado não foi suficiente para inverter a tendência a nível nacional, devido ao aumento registado noutras comarcas.
Outro dos pontos centrais da comunicação foi a nomeação do novo procurador-geral da República. Defendeu que o novo procurador-geral deve ser uma pessoa idónea, com capacidade de liderança e que não constitua um foco de instabilidade, considerando preferível que seja oriundo do Ministério Público. Apelou ainda ao entendimento entre os decisores políticos para a escolha do novo titular, sublinhando que a autonomia do Ministério Público é um princípio constitucional que deve ser preservado.
O presidente do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Benfeito Mosso Ramos, considerou que os problemas da Justiça em Cabo Verde exigem uma resposta que vá além da actuação dos magistrados e advogados, defendendo uma abordagem abrangente das causas que afectam o funcionamento do sistema.
O magistrado destacou ainda a redução das pendências processuais no STJ, de 1.402 processos transitados de um ano para o seguinte para 303, e manifestou a expectativa de normalizar a situação durante o actual ano judicial.
O magistrado defendeu também a valorização do mérito e da produtividade dos magistrados e oficiais de justiça, considerando necessário reconhecer o empenho dos profissionais e melhorar a capacidade de resposta dos tribunais.
Em declarações à imprensa, o ministro da Justiça, Clóvis Silva, anunciou que pretende introduzir medidas para valorizar o mérito e garantir uma remuneração superior aos profissionais do sector que trabalharem mais, incluindo oficiais ajudantes, conservadores e notários.
Conforme o governante, a medida deverá abranger os profissionais que trabalham aos sábados e domingos ou prolongam o horário, de modo a que o esforço adicional tenha reflexos no rendimento.
Sobre os recursos financeiros disponibilizados à Justiça reconheceu que nunca serão suficientes, mas defendeu uma melhor utilização dos meios, o recurso às novas tecnologias e a formação dos magistrados e restantes operadores do sector.
“Precisamos de transmitir a toda a estrutura do nosso país a ideia de que temos de aprender a fazer mais com cada vez menos. Precisamos de introduzir novas tecnologias, de formar cada vez mais e melhor os magistrados e todos os operadores do sector, para melhorarem a sua prestação”, ressaltou o ministro da Justiça.