PM acusado pela morte da médica Andréa Marins voltou ao patrulhamento antes de virar réu

Um dos policiais militares acusados pela morte da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, chegou a retornar ao policiamento ostensivo meses depois do caso e antes de se tornar réu. O segundo-sargento Raphael Gomes Damasceno, lotado no 9º Batalhão da Polícia Militar, voltou a trabalhar nas ruas em agosto, atuando no policiamento extraordinário do […] O conteúdo PM acusado pela morte da médica Andréa Marins voltou ao patrulhamento antes de virar réu aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

PM acusado pela morte da médica Andréa Marins voltou ao patrulhamento antes de virar réu

Um dos policiais militares acusados pela morte da médica Andréa Marins Dias, de 61 anos, chegou a retornar ao policiamento ostensivo meses depois do caso e antes de se tornar réu. O segundo-sargento Raphael Gomes Damasceno, lotado no 9º Batalhão da Polícia Militar, voltou a trabalhar nas ruas em agosto, atuando no policiamento extraordinário do 31º BPM, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. 

Andréa, uma mulher negra com quase três décadas dedicadas à medicina, foi morta a tiros em 15 de março de 2026, em Cascadura, na Zona Norte do Rio. Ginecologista e cirurgiã geral e oncológica, ela havia acabado de visitar os pais idosos quando seu carro foi atingido durante uma perseguição policial.

De acordo com a denúncia apresentada pelo Grupo de Atuação Especializada em Segurança Pública do Ministério Público do Rio de Janeiro, Raphael e o subtenente José Jorge Ferreira Dias procuravam veículos supostamente envolvidos em roubos. Os agentes teriam perseguido inicialmente um Corolla Cross prata, mas perderam o automóvel de vista. Pouco depois, localizaram o Corolla Cross branco conduzido pela médica.

Para o Ministério Público, os policiais dispararam sem confirmar adequadamente se aquele era o veículo procurado. Andréa foi atingida no tórax e no abdômen e morreu ainda no local. Os dois agentes foram denunciados por homicídio qualificado com dolo eventual, quando a acusação sustenta que os envolvidos assumiram o risco de provocar a morte. A denúncia foi recebida pela 2ª Vara Criminal da Capital, fazendo com que os policiais passassem à condição de réus. Eles ainda não foram julgados. 

Após a morte da médica, a Polícia Militar informou que os agentes seriam retirados das atividades operacionais e permaneceriam em funções administrativas enquanto o caso fosse investigado. Raphael, entretanto, retornou ao patrulhamento em agosto. Após a apresentação da denúncia, a corporação informou que o policial pediu licença para tratamento de saúde.

José Jorge, o outro agente acusado, permaneceu em atividade interna, trabalhando no controle de acesso da portaria do 9º BPM. No início de setembro, poucos dias antes de a denúncia se tornar pública, ele solicitou transferência para a reserva remunerada. Segundo as informações divulgadas, até aquele momento nenhum dos dois respondia a processo administrativo disciplinar relacionado à morte da médica.

Ao aceitar a denúncia, a Justiça determinou que ambos fossem afastados do policiamento de rua. Também suspendeu o porte funcional de arma de fogo e proibiu os réus de manter contato ou se aproximar, a menos de 300 metros, das testemunhas e dos familiares de Andréa. A decisão destacou a gravidade da acusação e o fato de o caso envolver agentes públicos que utilizavam armamento institucional. 

A acusação é sustentada por imagens de câmeras de segurança e laudos periciais. As câmeras corporais usadas pelos dois policiais estavam descarregadas no momento da ação. A própria Polícia Militar declarou anteriormente que as normas da corporação determinam o retorno dos agentes à unidade de origem quando há falha ou falta de funcionamento desses equipamentos.

Inicialmente, os policiais relataram que teriam ocorrido troca de tiros e tentativa de fuga. Segundo a investigação, entretanto, esses elementos não foram confirmados pelas imagens e perícias reunidas no processo. A defesa dos agentes não havia sido localizada nas publicações consultadas, e o espaço permanece aberto para manifestação.

Andréa Marins construiu uma trajetória marcada pelo cuidado com a saúde das mulheres. Formada em medicina pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, especializou-se em cirurgia oncológica e endometriose e trabalhou durante aproximadamente duas décadas no Instituto Nacional de Câncer. Colegas e instituições destacaram sua competência, humanidade e dedicação aos pacientes. 

A morte de uma mulher negra, médica e reconhecida profissional durante uma ação policial também reacende o debate sobre protocolos de abordagem, controle do uso da força, responsabilização de agentes públicos e funcionamento obrigatório das câmeras corporais. Para a família de Andréa e para a sociedade, permanece a cobrança por esclarecimento, justiça e medidas efetivas que impeçam a repetição de tragédias semelhantes.

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