Alison dos Santos faz história e coloca Brasil novamente no topo do atletismo mundial após 28 anos

O atletismo brasileiro voltou a escrever seu nome no livro dos recordes mundiais. Alison dos Santos, o Piu, tornou-se o homem mais rápido da história dos 400 metros com barreiras ao completar a prova em impressionantes 45s80, nesta quinta-feira (27), durante a etapa de Zurique da Diamond League, na Suíça. A conquista colocou fim a […] O conteúdo Alison dos Santos faz história e coloca Brasil novamente no topo do atletismo mundial após 28 anos aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Alison dos Santos faz história e coloca Brasil novamente no topo do atletismo mundial após 28 anos

O atletismo brasileiro voltou a escrever seu nome no livro dos recordes mundiais. Alison dos Santos, o Piu, tornou-se o homem mais rápido da história dos 400 metros com barreiras ao completar a prova em impressionantes 45s80, nesta quinta-feira (27), durante a etapa de Zurique da Diamond League, na Suíça.

A conquista colocou fim a um jejum de 28 anos do Brasil sem um atleta estabelecendo a melhor marca mundial em uma prova do atletismo.

Aos 26 anos, Alison não apenas venceu uma das provas mais aguardadas da competição como derrubou o recorde de um de seus maiores rivais, o norueguês Karsten Warholm.

A marca anterior, de 45s94, pertencia a Warholm desde a histórica final dos Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021. Alison baixou o recorde em 14 centésimos e colocou definitivamente seu nome entre os gigantes da modalidade.

Em Zurique, o brasileiro dominou a disputa. Alison assumiu o controle da prova, abriu vantagem sobre os adversários e cruzou a linha de chegada muito à frente do próprio Warholm, que terminou na segunda posição com 46s69.

O brasileiro Matheus Lima também teve uma boa participação e terminou na quarta colocação, com 47s57.

O recorde de Alison representa muito mais do que uma conquista individual.

Antes dele, o último brasileiro a alcançar uma marca mundial no atletismo havia sido Ronaldo da Costa, em 1998. Naquele ano, o mineiro venceu a Maratona de Berlim com 2h06min05s, estabelecendo a melhor marca mundial da época.

Agora, quase três décadas depois, o Brasil volta ao topo com um atleta que já vinha construindo uma das carreiras mais importantes da história recente do esporte nacional.

Alison dos Santos passa a integrar um grupo extremamente seleto de brasileiros que já foram donos das melhores marcas mundiais do atletismo.

O primeiro deles foi Adhemar Ferreira da Silva, uma das maiores lendas do esporte brasileiro. Bicampeão olímpico do salto triplo, ele estabeleceu seu primeiro recorde mundial em 1950, ao atingir 16 metros.

Adhemar ainda melhoraria a própria marca em outras quatro oportunidades. Em 1955, chegou aos 16,56 metros, consolidando uma trajetória que transformou o atleta negro brasileiro em referência internacional em uma época em que o país ainda oferecia poucas estruturas e oportunidades aos seus esportistas.

Depois dele veio Nelson Prudêncio, também no salto triplo. Nos Jogos Olímpicos da Cidade do México, em 1968, Prudêncio saltou 17,27 metros e tornou-se recordista mundial. A marca permaneceu por poucos minutos, até ser superada pelo soviético Viktor Saneyev. Ainda assim, aquele salto colocou definitivamente o brasileiro na história da modalidade.

Em 1975, novamente no México, outro brasileiro assumiria o protagonismo.

João Carlos de Oliveira, o inesquecível João do Pulo, alcançou 17,89 metros no salto triplo durante os Jogos Pan-Americanos e estabeleceu um novo recorde mundial.

A marca foi tão extraordinária que permaneceu como recorde mundial durante quase dez anos.

Depois vieram Ronaldo da Costa, em 1998, e agora Alison dos Santos, em 2026.

A conquista de Piu também possui uma característica inédita: ele é o primeiro brasileiro a estabelecer um recorde mundial em uma prova de pista do atletismo. Os recordes anteriores do país haviam sido conquistados em provas de campo, como o salto triplo, ou na maratona, disputada nas ruas.

O feito coroa uma temporada extraordinária do brasileiro.

Somente em 2026, Alison já conquistou cinco vitórias na Diamond League, principal circuito internacional do atletismo. Antes de Zurique, havia vencido em Shaoxing e Xiamen, na China, Oslo, na Noruega, e Silésia, na Polônia.

O recorde mundial, porém, era um objetivo declarado havia anos.

Alison nunca escondeu que perseguia a casa dos 45 segundos e que acordava pensando na possibilidade de um dia ser o homem mais rápido do mundo nos 400 metros com barreiras.

O sonho agora virou realidade.

A trajetória do brasileiro ganha ainda mais significado quando se observa tudo o que ele já construiu. Piu foi campeão mundial dos 400 metros com barreiras em 2022 e conquistou duas medalhas olímpicas de bronze, em Tóquio e Paris.

Mesmo já fazendo parte da elite mundial, continuou perseguindo uma marca que parecia reservada a um grupo quase inalcançável de atletas.

Agora, o nome no topo é brasileiro.

E há também uma dimensão simbólica nessa história. Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio, João do Pulo e Alison dos Santos representam gerações diferentes de atletas negros brasileiros que ajudaram a construir algumas das páginas mais importantes do esporte nacional.

Em épocas distintas, enfrentaram estruturas, condições e desafios diferentes, mas transformaram talento, disciplina e excelência em marcas capazes de atravessar décadas.

Depois da prova, Alison fez questão de dividir a conquista com o país. Para ele, o recorde não pertence apenas ao atleta que cruzou a linha de chegada, mas também às pessoas que fizeram parte de sua caminhada e aos brasileiros que acompanharam sua trajetória.

Aos 26 anos, Piu ainda tem uma longa estrada pela frente. Mas uma coisa já não pode mais ser retirada de sua história.

Durante 400 metros, dez barreiras e 45 segundos e 80 centésimos, Alison dos Santos correu mais rápido do que qualquer outro homem havia corrido naquela prova.

E, 28 anos depois, colocou novamente o Brasil no topo de um recorde mundial do atletismo.

O conteúdo Alison dos Santos faz história e coloca Brasil novamente no topo do atletismo mundial após 28 anos aparece primeiro em Revista Raça Brasil.