Governo etíope cria administração provisória no Tigray por seis meses

O primeiro-ministro etíope anunciou hoje a criação de uma administração provisória, por seis meses, no Tigray, região assolada por combates e que tem sido governada pelos rebeldes da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF).Esta nova administração, que deverá, nomeadamente, "criar um clima político estável para organizar eleições livres e transparentes", governará esta região setentrional da Etiópia "durante os próximos seis meses", anunciou o gabinete de Abiy Ahmed na rede social Facebook, na sequência de uma decisão tomada no Conselho de Ministros.O Tigray, que escapou nos últimos meses ao controlo do governo federal e que não participou nas últimas eleições federais realizadas a 01 de junho, era governado pelo TPLF.Este partido, não reconhecido por Adis Abeba, formou uma aliança no final de setembro com vários grupos armados para "derrubar" o Governo de Abiy Ahmed e aproximou-se da vizinha Eritreia, que mantém péssimas relações com a Etiópia.Após os primeiros avanços, nomeadamente em Afar, região vizinha do Tigray, as tropas do TPLF foram repelidas para mais a norte e perderam o controlo das grandes cidades do Tigray.Em particular, abandonaram, a 03 de outubro, a capital do Tigray, Mekele, sem qualquer combate."Para que o povo do Tigray possa desfrutar da paz de que foi privado, para que o seu direito à autogestão seja garantido e para que possa beneficiar dos frutos do desenvolvimento de que foi privado nos últimos anos, tem de sair do círculo vicioso dos conflitos", afirmou o gabinete do primeiro-ministro, sustentando que o TPLF "não quis a paz".O Tigray foi devastado entre 2020 e 2022 por uma guerra sangrenta (com pelo menos 600.000 mortos) que opôs as forças federais etíopes, apoiadas por milícias locais e pelo exército da Eritreia, às forças do TPLF.Um acordo de paz, assinado em Pretória, na África do Sul, em novembro de 2022, pôs fim aos combates, mas pontos-chave, como o regresso de centenas de milhares de deslocados, nunca foram implementados.No atual conflito, o TPLF é apoiado pela Eritreia, inimiga de Adis Abeba e que recentemente destacou milhares de soldados para o Tigray. Estes tiveram de recuar, bombardeados pelos drones do exército etíope.Foto: depositphotos

Governo etíope cria administração provisória no Tigray por seis meses

O primeiro-ministro etíope anunciou hoje a criação de uma administração provisória, por seis meses, no Tigray, região assolada por combates e que tem sido governada pelos rebeldes da Frente de Libertação do Povo do Tigray (TPLF).

Esta nova administração, que deverá, nomeadamente, "criar um clima político estável para organizar eleições livres e transparentes", governará esta região setentrional da Etiópia "durante os próximos seis meses", anunciou o gabinete de Abiy Ahmed na rede social Facebook, na sequência de uma decisão tomada no Conselho de Ministros.

O Tigray, que escapou nos últimos meses ao controlo do governo federal e que não participou nas últimas eleições federais realizadas a 01 de junho, era governado pelo TPLF.

Este partido, não reconhecido por Adis Abeba, formou uma aliança no final de setembro com vários grupos armados para "derrubar" o Governo de Abiy Ahmed e aproximou-se da vizinha Eritreia, que mantém péssimas relações com a Etiópia.

Após os primeiros avanços, nomeadamente em Afar, região vizinha do Tigray, as tropas do TPLF foram repelidas para mais a norte e perderam o controlo das grandes cidades do Tigray.

Em particular, abandonaram, a 03 de outubro, a capital do Tigray, Mekele, sem qualquer combate.

"Para que o povo do Tigray possa desfrutar da paz de que foi privado, para que o seu direito à autogestão seja garantido e para que possa beneficiar dos frutos do desenvolvimento de que foi privado nos últimos anos, tem de sair do círculo vicioso dos conflitos", afirmou o gabinete do primeiro-ministro, sustentando que o TPLF "não quis a paz".

O Tigray foi devastado entre 2020 e 2022 por uma guerra sangrenta (com pelo menos 600.000 mortos) que opôs as forças federais etíopes, apoiadas por milícias locais e pelo exército da Eritreia, às forças do TPLF.

Um acordo de paz, assinado em Pretória, na África do Sul, em novembro de 2022, pôs fim aos combates, mas pontos-chave, como o regresso de centenas de milhares de deslocados, nunca foram implementados.

No atual conflito, o TPLF é apoiado pela Eritreia, inimiga de Adis Abeba e que recentemente destacou milhares de soldados para o Tigray. Estes tiveram de recuar, bombardeados pelos drones do exército etíope.

Foto: depositphotos