Associação de Pesquisa Iyaleta lança projeto para investigar desigualdades raciais na saúde da população negra no Brasil 

Lançamento será marcado por webinário sobre saúde sexual e reprodutiva de mulheres negras

Associação de Pesquisa Iyaleta lança projeto para investigar desigualdades raciais na saúde da população negra no Brasil 

Texto: Divulgação

A Associação de Pesquisa Iyaleta realizará, na próxima quinta-feira (30), às 18h30, um webinário para lançar o projeto Ilera Egbé Dudu. O evento online tem como objetivo discutir questões que envolvem a saúde sexual e reprodutiva de mulheres negras, e busca envolver pesquisadoras, sociedade civil, gestores, profissionais de saúde e estudantes no debate sobre os impactos do racismo na saúde da população negra, bem como sobre os avanços e desafios na implementação de políticas de equidade em saúde. Pessoas interessadas em participar, devem acessar o canal do YouTube da Associação.

O Projeto Ilera Egbé Dudu será desenvolvido no âmbito do Laboratório de Justiça Reprodutiva e Saúde, unidade da Associação de Pesquisa Iyaleta voltada para estudos interseccionais que têm como foco a saúde sexual e reprodutiva das mulheres negras.

Além da apresentação do projeto, conduzida pela coordenadora científica, Andrea Ferreira, o evento terá a moderação da pesquisadora sênior Emanuelle Góes, coordenadora do Laboratório de Justiça Reprodutiva e Saúde. Os debates terão as contribuições de Heliana Hemetério dos Santos, representante do Conselho Nacional de Saúde; profa. Dra. Joilda Nery, diretora do Instituto de Saúde Coletiva (ISC/UFBA); e profa. Dra. Dandara Ramos (ISC/UFBA).

 “O Brasil está na vanguarda da institucionalização de políticas de equidade racial no mundo, como a criação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra, em 2009 no âmbito do SUS. Assim como, o Estatuto da Igualdade Racial, aprovado em 2010. Será ótimo termos todas juntas nesse webinário para debatermos o cenário atual, analisando avanços e entraves para projetarmos o cenário futuro”, ressalta Andrea Ferreira, pesquisadora que lidera o projeto. 

Projeto Ilera Egbé Dudu

O Ilera Egbé Dudu integra o Projeto “Transformação Estrutural contra o Racismo, a Desigualdade e a Discriminação: Cases em Saúde Global” (Stride), que conta com o apoio da Universidade de Georgetown. A iniciativa envolve instituições de pesquisa e organizações da sociedade civil de quatro países: Brasil, Quênia, Nepal e Bolívia. O objetivo é identificar políticas, programas e outros esforços organizados que tenham sido “exemplares” na redução de iniquidades em saúde causadas pelo racismo e pela desigualdade estrutural. 

Foco no Brasil

No contexto brasileiro, o projeto Ilera Egbé Dudu concentra-se em quatro eixos principais:

Qualidade da informação – investigação da qualidade do registro de raça/cor nos principais sistemas de informação em saúde; 

Desigualdades em indicadores-chave – análise da evolução e da dimensão das desigualdades raciais em indicadores como mortalidade materna e infantil, e casos detectados de sífilis durante o período gestacional;

Políticas de equidade racial em saúde – mapeamento de políticas de equidade racial na saúde e em direitos sociais, identificando marcos legais, mecanismos de governança e obstáculos à implementação.

Síntese de evidências científicas – sistematização de evidências sobre o impacto do racismo nas desigualdades raciais em desfechos de saúde sexual e reprodutiva.

A expectativa é concluir, até junho, as análises dos dados que serão apresentadas em um Data Brief sobre a completude do quesito raça/cor e as tendências em indicadores de morbidade e mortalidade da população negra nos últimos 15 anos. Também estão previstas outras publicações, incluindo um Policy Brief com a linha histórica da agenda racial no Brasil construída pelo Movimento Negro Brasileiro e, em seguida, um levantamento das políticas de saúde e de promoção da igualdade racial na saúde.