Papa assume culpa histórica da Igreja na escravatura: "Não podemos negar"
Embora alguns dos antecessores de Leão XIV tenham reconhecido a participação dos cristãos na escravatura, esta é a primeira vez que um Papa apresenta um pedido de desculpas público pelo papel direto desempenhado pela Igreja Católica enquanto instituição e também na legitimação da escravatura.Ao longo da história, "a Sé Apostólica Romana, a pedido de soberanos, interveio em diversas ocasiões para regular e legitimar os métodos de subjugação e, em alguns casos, escravização de 'infiéis'", escreveu o Papa norte-americano na encíclica "Magnifica Humanitas" (Magnífica Humanidade), agora divulgada."Não podemos negar nem minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura", acrescentou.Nesta sua primeira grande obra, dedicada em particular aos desafios éticos colocados pela inteligência artificial (AI), o Papa denunciou também "novas formas de escravatura" que operam por detrás da economia digital.A Igreja católica "tolerou a escravatura durante muito tempo e só mais tarde passou a condená-la absolutamente", referiu, adiantando que esta é "uma ferida na memória cristã" sobre a qual o Vaticano não se pode considerar alheio."Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão", afirmou Leão XIV."É inevitável sentir uma profunda tristeza ao considerar o enorme sofrimento e a humilhação que a escravatura representou para tantas pessoas, infinitamente amadas pelo Senhor, em contraste com a sua dignidade ilimitada", observou o Papa.O papa João Paulo II denunciou "a tragédia" numa visita que fez ao Senegal, em 1992, mas Leão XIV sublinhou que a própria Igreja tinha escravos até à Idade Média e denunciou como aconselhava os soberanos sobre como legitimar a escravização dos "infiéis"."Foi apenas no século XIX que encontramos uma condenação formal, absoluta e universal da escravatura, particularmente com Leão XIII", lembrou.Na encíclica, o Papa pediu também que se afaste o conceito de "guerra justa", defendido em particular pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, como forma de justificar um conflito, lamentando que "a humanidade esteja a resvalar para uma cultura violenta do poder"."Hoje, mais do que nunca, importa reafirmar a necessidade de ir além da teoria da 'guerra justa', invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra, sujeita ao direito à legítima defesa no seu sentido mais estrito", defendeu.A administração Trump tem justificado repetidamente o ataque ao Irão pela necessidade de impedir o país de desenvolver armas nucleares.O vice-presidente dos EUA, JD Vance, convertido ao catolicismo, invocou o argumento da "guerra justa" e avisou o Papa para "ter cuidado" com questões teológicas.Embora a encíclica, dirigida a todos os fiéis, seja sobretudo dedicada à proteção da dignidade humana face à rápida ascensão da IA, o Papa aproveitou para reiterar a sua mensagem pacifista, que tem sido fonte de recentes tensões com Washington.
Embora alguns dos antecessores de Leão XIV tenham reconhecido a participação dos cristãos na escravatura, esta é a primeira vez que um Papa apresenta um pedido de desculpas público pelo papel direto desempenhado pela Igreja Católica enquanto instituição e também na legitimação da escravatura.
Ao longo da história, "a Sé Apostólica Romana, a pedido de soberanos, interveio em diversas ocasiões para regular e legitimar os métodos de subjugação e, em alguns casos, escravização de 'infiéis'", escreveu o Papa norte-americano na encíclica "Magnifica Humanitas" (Magnífica Humanidade), agora divulgada.
"Não podemos negar nem minimizar o atraso com que a Igreja e a sociedade condenaram o flagelo da escravatura", acrescentou.
Nesta sua primeira grande obra, dedicada em particular aos desafios éticos colocados pela inteligência artificial (AI), o Papa denunciou também "novas formas de escravatura" que operam por detrás da economia digital.
A Igreja católica "tolerou a escravatura durante muito tempo e só mais tarde passou a condená-la absolutamente", referiu, adiantando que esta é "uma ferida na memória cristã" sobre a qual o Vaticano não se pode considerar alheio.
"Por isso, em nome da Igreja, peço sinceramente perdão", afirmou Leão XIV.
"É inevitável sentir uma profunda tristeza ao considerar o enorme sofrimento e a humilhação que a escravatura representou para tantas pessoas, infinitamente amadas pelo Senhor, em contraste com a sua dignidade ilimitada", observou o Papa.
O papa João Paulo II denunciou "a tragédia" numa visita que fez ao Senegal, em 1992, mas Leão XIV sublinhou que a própria Igreja tinha escravos até à Idade Média e denunciou como aconselhava os soberanos sobre como legitimar a escravização dos "infiéis".
"Foi apenas no século XIX que encontramos uma condenação formal, absoluta e universal da escravatura, particularmente com Leão XIII", lembrou.
Na encíclica, o Papa pediu também que se afaste o conceito de "guerra justa", defendido em particular pela administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, como forma de justificar um conflito, lamentando que "a humanidade esteja a resvalar para uma cultura violenta do poder".
"Hoje, mais do que nunca, importa reafirmar a necessidade de ir além da teoria da 'guerra justa', invocada com demasiada frequência para justificar qualquer guerra, sujeita ao direito à legítima defesa no seu sentido mais estrito", defendeu.
A administração Trump tem justificado repetidamente o ataque ao Irão pela necessidade de impedir o país de desenvolver armas nucleares.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, convertido ao catolicismo, invocou o argumento da "guerra justa" e avisou o Papa para "ter cuidado" com questões teológicas.
Embora a encíclica, dirigida a todos os fiéis, seja sobretudo dedicada à proteção da dignidade humana face à rápida ascensão da IA, o Papa aproveitou para reiterar a sua mensagem pacifista, que tem sido fonte de recentes tensões com Washington.