Analistas chineses apontam enfraquecimento da hegemonia marítima dos EUA

Chen Wenxin, diretor do Instituto de Estudos Americanos do China Institutes of Contemporary International Relations (CICIR), um dos mais influentes institutos de estudos chineses de política externa, considera que a estratégia da administração de Donald Trump assenta numa "manutenção hegemónica de baixo custo", baseada no controlo de corredores estratégicos e pontos de estrangulamento marítimos, em vez da preservação de uma ordem global abrangente."A guerra reflete uma tentativa dos Estados Unidos de controlar recursos estratégicos e corredores estratégicos, e remodelar a paisagem estratégica global", escreveu Chen num ensaio publicado pela revista Qiushi, órgão do Comité Central do Partido Comunista da China.Segundo o académico, a crise no estreito de Ormuz expõe também os limites dessa estratégia, ao demonstrar uma forma de poder norte-americano "mais frágil".Tian Wenlin, diretor do Instituto de Estudos do Médio Oriente da Universidade Renmin, descreveu o conflito como resultado de uma "necessidade dentro da contingência", considerando que o fracasso da operação militar norte-americana demonstra o enfraquecimento dos EUA enquanto potência naval historicamente dependente do controlo de pontos de estrangulamento marítimos.No Fórum de Macroeconomia da China, realizado este mês, Tian afirmou que a degradação da guerra para um "concurso de bofetadas" evidencia o declínio da capacidade norte-americana de impor controlo naval sobre rotas estratégicas.Liao Baizhi, diretor do Instituto de Estudos do Médio Oriente do CICIR, considera, num relatório de análise, que a posição dos EUA na região depende cada vez mais da "imprevisibilidade, pressão máxima e força militar israelita", cenário que poderá levar os países do Golfo a reconsiderarem as relações de segurança com Washington.Niu Xinchun, antigo diretor do mesmo instituto, adota uma visão mais cautelosa sobre o declínio norte-americano, argumentando que os EUA procuram uma forma de influência "menos dispendiosa", baseada no poder militar israelita e no investimento dos países do Golfo em tecnologia de defesa.Nos círculos académicos de Xangai, ligados ao Shanghai Institutes for International Studies (SIIS) e à Universidade Fudan, o foco está mais nas oportunidades para novos mecanismos multilaterais.Sun Degang, académico da Universidade Fudan, defende, num jornal afiliado ao SIIS, um modelo de gestão multilateral do estreito de Ormuz que inclua países árabes, o Irão e importadores asiáticos de energia, reconhecendo parcialmente a soberania iraniana sobre o estreito.A análise dos especialistas chineses sugere, contudo, que Pequim não pretende pressionar diretamente Teerão para reabrir totalmente o estreito - que bloqueou após o início dos ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro - nem Washington para levantar o bloqueio que mantém aos portos iranianos como retaliação.A recomendação dominante passa pela adaptação a um cenário de fragmentação global, através da diversificação de fornecedores energéticos, expansão de corredores terrestres e reforço da conectividade na eurásia.Lu Ruquan, presidente do instituto de investigação económica e tecnológica da CNPC, afirmou numa relatório de análise que a crise no estreito de Ormuz "expôs plenamente a vulnerabilidade dos corredores marítimos de energia", defendendo uma maior utilização de rotas terrestres.Zhao Long, diretor do Instituto de Estudos de Governação Global do SIIS, apelou ao aprofundamento da cooperação energética numa "Nova Eurásia", incluindo projetos como o gasoduto Poder da Sibéria 2, corredores ferroviários entre a Ásia Central e a Europa e rotas marítimas no Ártico.Segundo os analistas chineses, apesar dos riscos económicos decorrentes da interrupção prolongada de Ormuz, a crise poderá igualmente favorecer a internacionalização da moeda chinesa, o yuan, aumentar o apelo dos ativos chineses e acelerar a competitividade das energias renováveis.

Analistas chineses apontam enfraquecimento da hegemonia marítima dos EUA

Chen Wenxin, diretor do Instituto de Estudos Americanos do China Institutes of Contemporary International Relations (CICIR), um dos mais influentes institutos de estudos chineses de política externa, considera que a estratégia da administração de Donald Trump assenta numa "manutenção hegemónica de baixo custo", baseada no controlo de corredores estratégicos e pontos de estrangulamento marítimos, em vez da preservação de uma ordem global abrangente.

"A guerra reflete uma tentativa dos Estados Unidos de controlar recursos estratégicos e corredores estratégicos, e remodelar a paisagem estratégica global", escreveu Chen num ensaio publicado pela revista Qiushi, órgão do Comité Central do Partido Comunista da China.

Segundo o académico, a crise no estreito de Ormuz expõe também os limites dessa estratégia, ao demonstrar uma forma de poder norte-americano "mais frágil".

Tian Wenlin, diretor do Instituto de Estudos do Médio Oriente da Universidade Renmin, descreveu o conflito como resultado de uma "necessidade dentro da contingência", considerando que o fracasso da operação militar norte-americana demonstra o enfraquecimento dos EUA enquanto potência naval historicamente dependente do controlo de pontos de estrangulamento marítimos.

No Fórum de Macroeconomia da China, realizado este mês, Tian afirmou que a degradação da guerra para um "concurso de bofetadas" evidencia o declínio da capacidade norte-americana de impor controlo naval sobre rotas estratégicas.

Liao Baizhi, diretor do Instituto de Estudos do Médio Oriente do CICIR, considera, num relatório de análise, que a posição dos EUA na região depende cada vez mais da "imprevisibilidade, pressão máxima e força militar israelita", cenário que poderá levar os países do Golfo a reconsiderarem as relações de segurança com Washington.

Niu Xinchun, antigo diretor do mesmo instituto, adota uma visão mais cautelosa sobre o declínio norte-americano, argumentando que os EUA procuram uma forma de influência "menos dispendiosa", baseada no poder militar israelita e no investimento dos países do Golfo em tecnologia de defesa.

Nos círculos académicos de Xangai, ligados ao Shanghai Institutes for International Studies (SIIS) e à Universidade Fudan, o foco está mais nas oportunidades para novos mecanismos multilaterais.

Sun Degang, académico da Universidade Fudan, defende, num jornal afiliado ao SIIS, um modelo de gestão multilateral do estreito de Ormuz que inclua países árabes, o Irão e importadores asiáticos de energia, reconhecendo parcialmente a soberania iraniana sobre o estreito.

A análise dos especialistas chineses sugere, contudo, que Pequim não pretende pressionar diretamente Teerão para reabrir totalmente o estreito - que bloqueou após o início dos ataques israelo-americanos em 28 de fevereiro - nem Washington para levantar o bloqueio que mantém aos portos iranianos como retaliação.

A recomendação dominante passa pela adaptação a um cenário de fragmentação global, através da diversificação de fornecedores energéticos, expansão de corredores terrestres e reforço da conectividade na eurásia.

Lu Ruquan, presidente do instituto de investigação económica e tecnológica da CNPC, afirmou numa relatório de análise que a crise no estreito de Ormuz "expôs plenamente a vulnerabilidade dos corredores marítimos de energia", defendendo uma maior utilização de rotas terrestres.

Zhao Long, diretor do Instituto de Estudos de Governação Global do SIIS, apelou ao aprofundamento da cooperação energética numa "Nova Eurásia", incluindo projetos como o gasoduto Poder da Sibéria 2, corredores ferroviários entre a Ásia Central e a Europa e rotas marítimas no Ártico.

Segundo os analistas chineses, apesar dos riscos económicos decorrentes da interrupção prolongada de Ormuz, a crise poderá igualmente favorecer a internacionalização da moeda chinesa, o yuan, aumentar o apelo dos ativos chineses e acelerar a competitividade das energias renováveis.