Câncer de Mama: mortalidade é crescente entre mulheres negras e expõe desigualdades raciais e geográficas
Dados do Ministério da Saúde mostram aumento de 34% na taxa de mortalidade entre mulheres negras no Brasil em 14 anos; estudo internacional aponta maior risco de morte entre mulheres negras jovens, especialmente nos casos de tumores triplo-negativos. Neste dia 19 de outubro, comemora-se o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Mama. A data […] O post Câncer de Mama: mortalidade é crescente entre mulheres negras e expõe desigualdades raciais e geográficas apareceu primeiro em Mundo Negro.
Dados do Ministério da Saúde mostram aumento de 34% na taxa de mortalidade entre mulheres negras no Brasil em 14 anos; estudo internacional aponta maior risco de morte entre mulheres negras jovens, especialmente nos casos de tumores triplo-negativos.
Neste dia 19 de outubro, comemora-se o Dia Mundial do Combate ao Câncer de Mama. A data reforça a conscientização sobre a doença, a importância do diagnóstico precoce o acesso ao tratamento.
O câncer de mama é um desafio para a saúde pública brasileira, porém ele não é igualitário entre as mulheres no país. No Brasil, registra-se um aumento na mortalidade pela doença de 34% entre mulheres negras entre 2010 e 2024, segundo o Ministério da Saúde. Internacionalmente, um estudo também identificou uma diferença racial nos diagnósticos da doença, principalmente entre mulheres negras mais jovens e aquelas diagnosticadas com determinados tipos de tumores.
Os dados do Ministério da Saúde são de outubro de 2025, o levantamento contabilizou mais de 248 mil mortes por câncer de mama entre mulheres no país dentro do período de 2010 a 2024. Somente em 2024, foram registrados 20.616 mortes, ante a 12.705 em 2010.
Fazendo um recorte racial destes números, destaca-se uma diferença: entre mulheres pretas, a taxa de mortalidade passou de 14,9 para 15,6 óbitos por 100 mil mulheres entre esse período estipulado, um aumento de 4,7%. Entre mulheres pardas, esse número subiu de 11,0 para 15,8 por 100 mio, um crescimento de 43,7%.
Essas estatísticas apontam para que a evolução da mortalidade não ocorre da mesma maneira entre os diferentes grupos raciais. Embora as mulheres brancas tenham apresentado taxas de mortalidade superiores às das mulheres negras em parte do período analisado, o crescimento expressivo entre mulheres pardas e o aumento da taxa geral da população negra reforçam a importância de investigar as desigualdades no enfrentamento da doença.
Raça, idade e características do tumor
O recorte e diferenças raciais também aparecem na pesquisa científica internacional, em um estudo de março de 2026, no periódico “npj Breast Cancer, intitulado Disparities in breast cancer incidence and survival by age, race, and molecular subtype in US women”, que analisou dados de registros de câncer dos Estados Unidos para investigar como idade, raça e características moleculares dos tumores se relacionam com a incidência e a sobrevida.
A pesquisa analisou cinco décadas e examinou dados de 2010 a 2022. Entre os resultados, os pesquisadores identificaram que mulheres negras apresentaram maiores taxas de incidência ao câncer de mama triplo-negativo em todas as faixas etárias analisadas. Esse subtipo por apresentar opções terapêuticas mais limitadas do que outros tipos de câncer de mama.
O estudo também apontou diferenças na sobrevida entre grupos raciais, com diferenças evidentes entre mulheres com menos de 50 anos. Mulheres negras mais jovens apresentaram riscos de mortalidade elevados em comparação com mulheres brancas da mesma faixa etária. O estudo destaca que fatores biológicos, condições sociodemográficas e desigualdades no acesso aos cuidados de saúde podem contribuir para os resultados observados.
Esses achados ampliam a discussão sobre o câncer de mama para além da incidência da doença. A análise conjunta de idade, raça e subtipo molecular permite identificar grupos que podem enfrentar maior vulnerabilidade e reforça a necessidade de estratégias de prevenção, diagnóstico e tratamento que considerem diferentes perfis de risco.
O desafio de reduzir as desigualdades
Os dados reforçam a importância de políticas públicas para ampliar o acesso ao diagnóstico antecipado e ao tratamento adequado, com atenção às desigualdades raciais e territoriais. Também apontam para a necessidade de aprimorar a produção de informações epidemiológicas, de modo que seja possível acompanhar a evolução da doença e avaliar os resultados das ações de saúde.
No caso brasileiro, o crescimento da mortalidade entre mulheres pardas e negras coloca em evidência a necessidade de investigar as condições que influenciam o percurso dessas mulheres na rede de saúde. Já as evidências internacionais sobre mulheres negras jovens reforçam a importância de pesquisas que considerem a interação entre idade, raça e características clínicas dos tumores.
O post Câncer de Mama: mortalidade é crescente entre mulheres negras e expõe desigualdades raciais e geográficas apareceu primeiro em Mundo Negro.