Para que serve o voto racial?

Mais uma eleição se aproxima no Brasil. E mais uma vez teremos uma eleição muito disputada. O país está visivelmente dividido entre alternativas radicalmente opostas. De um lado setores democráticos, progressistas e de centro direita que tentam a todo custo dar continuidade ao processo democrático iniciado em 1988 com a Assembleia Nacional Constituinte, interrompido com […] O conteúdo Para que serve o voto racial? aparece primeiro em Revista Raça Brasil.

Para que serve o voto racial?

Mais uma eleição se aproxima no Brasil. E mais uma vez teremos uma eleição muito disputada. O país está visivelmente dividido entre alternativas radicalmente opostas.

De um lado setores democráticos, progressistas e de centro direita que tentam a todo custo dar continuidade ao processo democrático iniciado em 1988 com a Assembleia Nacional Constituinte, interrompido com o impeachment da Presidente Dilma. E de outro a direita que busca a todo custo a retomada do protagonismo, mesmo por caminhos nada democráticos (vide a tentativa de golpe em 8 de janeiro de 2023).

Aliás, a América Latina está vivendo um forte avanço da direita nos últimos tempos. Os resultados recentes das eleições na Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru, bem como a intervenção na Venezuela e o cerco a Cuba, não deixam dúvidas. E esse movimento tem contado com o apoio incondicional do polêmico Presidente dos Estados Unidos.

Portanto, uma vitória da direita no Brasil, seria o coroamento desse processo.

Em outras palavras, o que estará em jogo entre 04 e 25 de outubro do corrente ano, não será apenas uma troca de guarda no comando do país, mas sim o futuro da democracia, no Brasil.

E mais uma vez, a questão do voto racial volta a baila. Só que dessa vez, a direita está disputando a primazia dessa representação sem meias palavras.

Não há dúvidas sobre a importância do voto racial no Brasil, afinal, representamos quase 60% da população e as demandas são inquestionáveis.

Daí que não dá mais para ser ingênuo/a e apostar cegamente/exclusivamente, na cor da pele das candidaturas negras como única garantia de compromisso com as pautas que interessam a população negra brasileira.

Até porque, do ponto de vista democrático, negros e negras tem todo o direito de optarem pelo segmento ideológico que desejarem.

Nesse aspecto, temos visto negros/as alinhados com pautas e agendas extremamente negativas, a exemplo da defesa da pena de morte, apoio a milícias e grupos de extermínio que tem como alvo principal a juventude negra. Além disso, são aliados de setores que são contra todas as políticas de ações afirmativas.

Portanto, para que o voto racial em outubro de 2026, cumpra com sua missão de apoiar a melhoria das condições de vida da população negra será fundamental atentarmos para a agenda que essas candidaturas negras estarão defendendo.

E aqui vale alguns alertas: é fundamental que as candidaturas negras contribuam para um projeto nacional, onde a luta antirracista ajude à construção de uma sociedade mais democrática e menos desigual. Isso significa dizer e reconhecer que a luta antirracista não é exclusividade negra e que há segmentos da centro direita aliados das nossas pautas e demandas.

Em segundo lugar, as candidaturas negras em 2026, precisam estar comprometidas com pautas que nos ajude a ampliar a representação política e enfrentar desigualdades históricas, à exemplo da extinção da jornada de trabalho 6×1.

Ou seja, não basta termos candidatos negros!

Enfim, quaisquer candidaturas negras precisam estar minimamente alinhadas:

  1. com a defesa da democracia, (elemento crucial para a continuidade das políticas públicas de inclusão);
  2. com o combate ao racismo e a promoção da igualdade racial;
  3. com a manutenção das cotas raciais e sociais na educação e no mercado de trabalho;
  4. com o enfrentamento da violência que atinge a juventude negra;
  5. com a saúde da população negra;
  6. com a extinção da escala 6×1; ou
  7. com a valorização das manifestações culturais afro-brasileiras, dentre elas o combate a intolerância religiosa;

Toca a zabumba que a terra é nossa!

 

 

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