Pesquisadora negra criadora do “Método Taylor Swift” denuncia plágio internacional

Gláucia Silva, doutoranda da UFRN, acusa professor espanhol de reproduzir sua metodologia sem reconhecimento autoral 

Pesquisadora negra criadora do “Método Taylor Swift” denuncia plágio internacional

Por Luana Miranda

A bióloga e pesquisadora Gláucia Silva, acusa de plágio um professor da Universidade Miguel Hernández de Elche (UMH), na Espanha. Mestre e doutoranda pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), a professora é a responsável pelo “Método Taylor Swift”, que consiste no ensino sobre plantas para crianças, jovens e adultos a partir dos clipes da cantora estadunidense. 

A denúncia aconteceu na última terça-feira (16), em um vídeo postado nas redes sociais da pesquisadora. De acordo com o relato, o método desenvolvido por ela foi utilizado em um capítulo de livro assinado pelo professor Joaquín Moreno e publicado pela UMH, em dezembro de 2025. Gláucia conta que apresentou o “Método Taylor Swift” em julho de 2024, em Madri, no maior congresso internacional de botânica do mundo. E que, em agosto de 2025, meses antes da publicação do espanhol, publicou um artigo sobre o método na revista científica internacional “Annals of Botany”. 

Gláucia afirma que, na publicação do professor, existem menções ao trabalho dela utilizando termos como “nova metodologia” e “metodologia inovadora”, e aponta que o texto chega a usar dados do artigo dela, mas sem a referenciar. Supostamente, Joaquín Moreno também teria recebido apoio financeiro e um prêmio na UMH pelo desenvolvimento do método. 

Ao tomar conhecimento do ocorrido, a bióloga tentou contato com a UMH, com a editora que publicou o capítulo do livro, e com o professor. Além disso, um e-mail foi enviado pela UFRN para o reitor da UMH apresentando 17 provas de que “Método Taylor Swift” havia sido desenvolvido por Gláucia. Segundo a bióloga, só o professor retornou o contato, chegando a admitir similaridades entre os trabalhos. 

Diante desse cenário, Gláucia decidiu entrar na justiça e iniciou uma movimentação nas redes sociais para conseguir arcar com os custos de um processo internacional que pode chegar a R$30 mil reais, e não deixar essa história passar impune. 

Invisibilidade de pesquisadoras e cientistas negras

A experiência que a pesquisadora relata em suas redes sociais não é um caso isolado. Quando o assunto é a propriedade intelectual de pessoas negras, a história mostra que repetidas vezes mulheres negras não puderam desfrutar do reconhecimento público e financeiro de suas descobertas científicas. Inclusive, algumas dessas histórias chegaram a se tornar trama de cinema, em filmes aclamados como o “Estrelas Além do Tempo”. A obra conta a história da equipe de cientistas negras da NASA que, em meio a segregação racial, foram as principais colaboradoras para o sucesso da corrida espacial estadunidense. 

Um outro exemplo, não tão amplamente divulgado, é a história da química Alice Augusta Ball, nascida em 1892, nos Estados Unidos, ela foi a primeira mulher negra do país a obter um mestrado na área. Os feitos de Alice não param ao alcançar títulos acadêmicos, ela desenvolveu um tratamento para pessoas que sofrem de hanseníase – doença infecciosa que atinge a pele e os nervos. O tratamento ficou conhecido como o “Método Ball”. 

Por conta do contato com os gases tóxicos em decorrência do trabalho no laboratório, Ball morreu aos 24 anos, antes de colher os frutos do seu trabalho. Em compensação, o químico Arthur L. D publicou os resultados do trabalho da pesquisadora. Apenas em 2000, 90 anos depois da sua descoberta, é que a universidade na qual Ball atuava reconheceu o seu legado.