Quando o futebol veste um país: orgulho em vestir Cabo Verde faz disparar as vendas

A procura por camisolas da selecção nacional, vestidos com as cores do país e bandeiras registou um crescimento nas últimas semanas. Embora os vendedores reconheçam um aumento das vendas, admitem que a forte concorrência e a limitação dos stocks impedem um impacto financeiro ainda maior.Numa das lojas chinesas da capital, a funcionária Adelmira refere que o interesse por artigos com as cores nacionais já existia, sobretudo por parte de emigrantes e de pessoas prestes a deixar o país, mas intensificou-se após o apuramento de Cabo Verde para a competição.“Neste momento há muita procura pelas roupas com as cores de Cabo Verde. Já havia uma certa procura porque muitas pessoas emigradas ou que estão a emigrar levam aos familiares, mas, após a qualificação de Cabo Verde na copa esta procura aumentou muito e chega até a ser uma procura um pouco mais elevada do que nos últimos anos”, conta.Segundo a funcionária, os conjuntos da selecção são os artigos mais procurados e a disponibilidade é reduzida, uma situação que atribui à gestão do stock entre as várias lojas pertencentes aos mesmos proprietários.No mercado de Sucupira, o comerciante Abdulai confirma que a presença da selecção cabo-verdiana no Mundial também impulsionou a venda das réplicas das camisolas, dos vestidos e das bandeiras nacionais. Ainda assim, considera que o efeito nas receitas é atenuado pelo elevado número de vendedores que comercializam os mesmos produtos.“É certo que com Cabo Verde na Copa do Mundo as vendas das réplicas da camisola da selecção e dos vestidos de Cabo Verde aumentaram, mas somos muitos a vender o mesmo produto então não é um aumento muito expressivo porque há muita concorrência neste momento e todos ganham mesmo que pouco”, diz.O comerciante também afirma que a procura maior é pelas réplicas das camisolas da seleção nacional e as bandeiras pequenas usadas nas viaturas.“Aliás, neste momento, já não temos bandeiras à venda devido à ruptura do estoque”, indica.No caso de Abdulai, os emigrantes, por meio de familiares em Cabo Verde, e alguns turistas são os principais compradores destes artigos.Investir na diásporaA participação de Cabo Verde no Mundial de Futebol está também a criar oportunidades de negócio para comerciantes no arquipélago que apostam no mercado da diáspora.É o caso de Suzy Gonçalves, residente no país, que passou a enviar réplicas das camisolas da selecção nacional e outros artigos alusivos ao país para venda em Portugal, respondendo ao aumento da procura por parte dos emigrantes.Segundo explicou ao Expresso das Ilhas, a iniciativa surgiu logo após o apuramento histórico da selecção cabo-verdiana.“Foi depois da qualificação de Cabo Verde para o Mundial que comecei a enviar réplicas das camisas da nossa selecção e outras peças da nossa bandeira para vender em Portugal. Decidi vender essas peças porque os cabo-verdianos começaram a pedir muito, e como já mandava outros produtos, não hesitei em mandar esses”, relata.Os artigos são enviados para uma pessoa responsável pela distribuição em Portugal. Por enquanto, aquele é o único destino das encomendas, embora já existam pedidos provenientes dos Estados Unidos da América e de França.As camisolas réplicas da selecção figuram entre os produtos mais procurados, a par de cantil, vestidos e bandeiras. No entanto, a comerciante admite que a frequência dos envios depende da disponibilidade de passageiros que possam transportar uma mala com mercadorias.“Não mando por semana porque há problemas com pessoas que aceitam levar uma mala e comprar uma mala numa companhia aérea não é tão barato. Mas, quando mando, é sempre uma mala cheia dessas peças. Nos últimos três meses foram duas malas cheias e ainda há vários pedidos”, narra.Embora haja muita procura, Suzy Gonçalves reconhece que a logística continua a ser o principal obstáculo ao crescimento do negócio.“A maior dificuldade mesmo é fazer a entrega em Portugal, já que os bairros são distantes. Mas compensa muito esse negócio”, considera.Fora os desafios de distribuição, a empreendedora refere que o aumento da procura fez subir os preços dos produtos no mercado nacional, dificultando, por vezes, o acesso a artigos de qualidade.As peças inspiradas na bandeira nacional são comercializadas sobretudo nas cores azul, branco e vermelho, sendo o azul a preferência dos compradores. As camisolas custam 20 euros, valor semelhante ao dos vestidos e 'tops' alusivos a Cabo Verde, enquanto alguns modelos são vendidos por 15 euros.Ainda que admita que a procura possa diminuir após a competição, acredita que o interesse pelos produtos ligados a Cabo Verde continuará, sobretudo por parte de futuros visitantes.“Cabo Verde nunca saiu da moda e há sempre venda, só que aumentou mais agora a procura. Acho que depois do Mundial ainda vai haver procura, embora nem tanto. O pico da venda acredito que será agora, durante a participação no Mundial”, considera.Mesmo perante a concorrência de comerciantes chineses e de imigrantes oriundos da costa africana

Quando o futebol veste um país: orgulho em vestir Cabo Verde faz disparar as vendas

A procura por camisolas da selecção nacional, vestidos com as cores do país e bandeiras registou um crescimento nas últimas semanas. Embora os vendedores reconheçam um aumento das vendas, admitem que a forte concorrência e a limitação dos stocks impedem um impacto financeiro ainda maior.

Numa das lojas chinesas da capital, a funcionária Adelmira refere que o interesse por artigos com as cores nacionais já existia, sobretudo por parte de emigrantes e de pessoas prestes a deixar o país, mas intensificou-se após o apuramento de Cabo Verde para a competição.

“Neste momento há muita procura pelas roupas com as cores de Cabo Verde. Já havia uma certa procura porque muitas pessoas emigradas ou que estão a emigrar levam aos familiares, mas, após a qualificação de Cabo Verde na copa esta procura aumentou muito e chega até a ser uma procura um pouco mais elevada do que nos últimos anos”, conta.

Segundo a funcionária, os conjuntos da selecção são os artigos mais procurados e a disponibilidade é reduzida, uma situação que atribui à gestão do stock entre as várias lojas pertencentes aos mesmos proprietários.

No mercado de Sucupira, o comerciante Abdulai confirma que a presença da selecção cabo-verdiana no Mundial também impulsionou a venda das réplicas das camisolas, dos vestidos e das bandeiras nacionais. Ainda assim, considera que o efeito nas receitas é atenuado pelo elevado número de vendedores que comercializam os mesmos produtos.

“É certo que com Cabo Verde na Copa do Mundo as vendas das réplicas da camisola da selecção e dos vestidos de Cabo Verde aumentaram, mas somos muitos a vender o mesmo produto então não é um aumento muito expressivo porque há muita concorrência neste momento e todos ganham mesmo que pouco”, diz.

O comerciante também afirma que a procura maior é pelas réplicas das camisolas da seleção nacional e as bandeiras pequenas usadas nas viaturas.

“Aliás, neste momento, já não temos bandeiras à venda devido à ruptura do estoque”, indica.

No caso de Abdulai, os emigrantes, por meio de familiares em Cabo Verde, e alguns turistas são os principais compradores destes artigos.

Investir na diáspora

A participação de Cabo Verde no Mundial de Futebol está também a criar oportunidades de negócio para comerciantes no arquipélago que apostam no mercado da diáspora.

É o caso de Suzy Gonçalves, residente no país, que passou a enviar réplicas das camisolas da selecção nacional e outros artigos alusivos ao país para venda em Portugal, respondendo ao aumento da procura por parte dos emigrantes.

Segundo explicou ao Expresso das Ilhas, a iniciativa surgiu logo após o apuramento histórico da selecção cabo-verdiana.

“Foi depois da qualificação de Cabo Verde para o Mundial que comecei a enviar réplicas das camisas da nossa selecção e outras peças da nossa bandeira para vender em Portugal. Decidi vender essas peças porque os cabo-verdianos começaram a pedir muito, e como já mandava outros produtos, não hesitei em mandar esses”, relata.

Os artigos são enviados para uma pessoa responsável pela distribuição em Portugal. Por enquanto, aquele é o único destino das encomendas, embora já existam pedidos provenientes dos Estados Unidos da América e de França.

As camisolas réplicas da selecção figuram entre os produtos mais procurados, a par de cantil, vestidos e bandeiras. No entanto, a comerciante admite que a frequência dos envios depende da disponibilidade de passageiros que possam transportar uma mala com mercadorias.

“Não mando por semana porque há problemas com pessoas que aceitam levar uma mala e comprar uma mala numa companhia aérea não é tão barato. Mas, quando mando, é sempre uma mala cheia dessas peças. Nos últimos três meses foram duas malas cheias e ainda há vários pedidos”, narra.

Embora haja muita procura, Suzy Gonçalves reconhece que a logística continua a ser o principal obstáculo ao crescimento do negócio.

“A maior dificuldade mesmo é fazer a entrega em Portugal, já que os bairros são distantes. Mas compensa muito esse negócio”, considera.

Fora os desafios de distribuição, a empreendedora refere que o aumento da procura fez subir os preços dos produtos no mercado nacional, dificultando, por vezes, o acesso a artigos de qualidade.

As peças inspiradas na bandeira nacional são comercializadas sobretudo nas cores azul, branco e vermelho, sendo o azul a preferência dos compradores. As camisolas custam 20 euros, valor semelhante ao dos vestidos e 'tops' alusivos a Cabo Verde, enquanto alguns modelos são vendidos por 15 euros.

Ainda que admita que a procura possa diminuir após a competição, acredita que o interesse pelos produtos ligados a Cabo Verde continuará, sobretudo por parte de futuros visitantes.

“Cabo Verde nunca saiu da moda e há sempre venda, só que aumentou mais agora a procura. Acho que depois do Mundial ainda vai haver procura, embora nem tanto. O pico da venda acredito que será agora, durante a participação no Mundial”, considera.

Mesmo perante a concorrência de comerciantes chineses e de imigrantes oriundos da costa africana na ilha de Santiago, Suzy Gonçalves garante que a procura continua elevada.

Procura por crochet também aumenta

O aumento de vendas também está a reflectir-se também no trabalho de artesãos que produzem peças inspiradas nas cores nacionais. É o caso de Sandra Lopes, que viu aumentar significativamente as encomendas de vestuário em crochet com a bandeira cabo-verdiana, sobretudo por parte da diáspora residente nos Estados Unidos.

Segundo conta, antes da qualificação produzia, em média, quatro ou cinco peças por mês com as cores da bandeira, dependendo das restantes encomendas de crochet. Contudo, desde que a selecção garantiu a presença no Mundial, a procura intensificou-se ao ponto de ter de fechar temporariamente a agenda de encomendas, algo que, diz, não era habitual.

“Passei a estabelecer um limite mensal de encomendas, uma vez que algumas peças, consoante a dimensão, exigem quatro a cinco dias de trabalho”, sublinha.

De quatro a cinco peças mensais, entre Maio e Junho, Sandra produziu mais de 20 peças enviadas para os Estados Unidos.

A maioria dos pedidos continua a chegar da diáspora, sobretudo daquele país, sendo as saias, tops, biquínis e calções os artigos mais procurados.

Sandra Lopes refere ainda que o Verão costuma ser a época de maior facturação, por serem peças leves e frescas. Ainda assim, admite que a participação de Cabo Verde no Mundial permitiu receitas muito superiores às habituais, compensando os meses em que o volume de negócios foi inferior.

“O aumento da procura trouxe também dificuldades. Neste momento, o maior obstáculo é encontrar no mercado nacional linhas nas cores da bandeira de Cabo Verde, especialmente a azul, que se encontra esgotada nas lojas devido ao aumento da produção de peças de crochet inspiradas na selecção nacional”, ressalta.

Embora conte com a ajuda de outra pessoa quando as encomendas aumentam, sobretudo nas peças para bebés, Sandra Lopes garante que todas as peças com a bandeira cabo-verdiana são feitas exclusivamente por si.

Para cumprir os prazos de entrega, revela que muitas vezes trabalha durante a noite para conseguir enviar as encomendas para os Estados Unidos dentro do tempo previsto.

Apesar da forte procura pelas peças inspiradas em Cabo Verde, a artesã já pensa em criar novos modelos com outras bandeiras, nomeadamente a do Brasil, para a qual já recebeu alguns pedidos.

No entanto, assegura que a prioridade continua a ser concluir todas as encomendas com as cores cabo-verdianas.

Marcas investem em peças que representam Cabo Verde

A crescente procura por peças de vestuário e acessórios que representem Cabo Verde levou algumas marcas e criadores locais a apostar em colecções inspiradas na identidade nacional.

Um dos exemplos é o projecto “Identidade”, uma agência de marketing e publicidade que passou a desenvolver camisolas personalizadas com elementos culturais cabo-verdianos, criadas inicialmente de forma informal e entre amigos, mas que rapidamente ganharam procura.

A influencer e criadora Belva Monteiro explica que a ideia surgiu de forma prática e acessível, tendo em conta o custo das camisolas oficiais no mercado. Assim surgiu uma linha de t-shirts inspiradas em Cabo Verde, motivada pela procura espontânea nas redes sociais e no contacto directo com o público.

“Essa linha específica foi para esta Copa, porque já tínhamos outras camisolas feitas… como vimos que teve muita procura, decidimos lançar a camisola”, explica Belva Monteiro, referindo-se ao projecto desenvolvido com o seu parceiro, Cristian.

Entre os elementos usados nas peças estão referências culturais como o pano de terra e frases em inglês como “From the Islind to the World”, numa estratégia que procura também atingir o público internacional e a diáspora.

“Queremos abranger todos os públicos, tanto aqui como fora, mesmo os turistas”, ambiciona.

A produção das camisolas é feita na China, embora o design seja inteiramente desenvolvido pelos criadores. A marca adopta ainda um modelo de venda online, em que a peça entra directamente em produção após a encomenda.

Sobre o impacto do momento actual, Belva Monteiro admite que a procura superou as expectativas iniciais.

Apesar de ainda não conseguir quantificar o crescimento das vendas, a criadora reconhece que o interesse é generalizado, tanto em Cabo Verde como na diáspora. “Todos, diáspora e aqui”, afirma.

Para Belva Monteiro, a participação de Cabo Verde na Copa do Mundo pode ter efeitos mais duradouros na economia criativa.

“Quem tiver oportunidade é para aproveitar este período… vai reflectir no país durante anos devido ao turismo”, conclui.

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Segundo o jornal norte-americano Spotico, a qualificação de Cabo Verde para a fase eliminatória do Mundial de 2026, aumentou o interesse pelos seus equipamentos.

Conforme o veículo especializado, a Capelli Sport, actual fornecedora oficial da Federação Cabo-verdiana de Futebol, comercializa o equipamento da selecção no seu site por 95 dólares, o que corresponde a cerca de 9.500 escudos cabo-verdianos.

Já a Tempo Sport, antiga fornecedora, lançou uma pré-venda de camisolas a 39 dólares, equivalentes a cerca de 3.900 escudos, aproveitando o momento de grande visibilidade da selecção.

A marca promove ainda peças antigas usadas durante a fase de qualificação para o Mundial, incluindo camisolas casuais e conjuntos com bandeira e cachecol.

De acordo com o Spotico, esta iniciativa levou a Capelli Sport a avançar com uma notificação judicial, acusando a Tempo Sport de violação de exclusividade na comercialização dos produtos oficiais da selecção cabo-verdiana e exigindo a suspensão imediata das vendas.

Até ao fecho desta edição, o site da Tempo Sport mantinha activa uma promoção com 30% de desconto nas peças da selecção cabo-verdiana, apesar da contestação legal em curso.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1283 de 01 de Julho de 2026.