Jónica Tavares, Presidente do PTS - “Está claro que o bipartidarismo sufoca a nossa sociedade”
O partido fez uma mudança organizacional. Gostaríamos de saber se o PTS está preparado e organizado para estas eleições.O PTS, após a morte do nosso saudoso e querido presidente Carlos Lopes, Romeu di Lourdis, reuniu as estruturas, os órgãos do partido, e foi deliberado, através da Comissão Política Nacional, que neste período de pós-morte e que antecede as eleições legislativas de 17 de Maio, dever-se-ia ter uma visão mais a longo prazo. Considerou-se que, enquanto vice-presidente, seria uma mais-valia neste percurso ter a minha pessoa como líder até este processo legislativo terminar. E só então realizar o Congresso Nacional, para cumprir o estatuto e eleger uma equipa pelos militantes do partido, conforme nele se determina. O PTS está pronto, é um partido com história que vem desde os anos 90, tendo-se constituído como partido nos anos 2000.O PTS apresenta uma lista maioritariamente composta por mulheres. Como vê esta questão?As listas apresentadas nos dois círculos eleitorais a que o PTS se candidata foram aceites pelo tribunal, respeitando a lei da paridade, e nós vemos como natural a presença de mulheres nestas listas, maioritariamente mulheres. Por que não questionamos a maioria masculina em outras listas? Por que haveríamos de questionar a maioria das mulheres nas listas do PTS?Quais são as principais propostas do PTS para esta legislatura?O PTS mostra-se hoje como alternativa, posiciona-se como alternativa credível que Cabo Verde precisa para o reforço do debate parlamentar, para que o Parlamento seja, na realidade, um lugar e um espaço onde os problemas dos cabo-verdianos, os desafios que a família cabo-verdiana e principalmente a juventude cabo-verdiana enfrenta, façam parte do debate político. O PTS, já na sua renovação em 2021, deixou claro, ao fazer a mudança da sigla do partido, que passou de P de partido para pessoas (Pessoas, Trabalho e Solidariedade). É centrar nas pessoas, uma política de proximidade com as pessoas, sem perder também a base do PTS, que também tem a ver com o trabalho digno, com a justiça social. Contamos com uma proposta que devemos apresentar de zero casas de tambor, zero casas de barraca, que também tem a ver um pouco com questões de habitação. Os terrenos estão todos na mão daqueles que já possuem algum poder. Aquele que não tem poder monetário em Cabo Verde está a ser marginalizado, discriminado. Os governos calam-se perante esta situação porque os mesmos beneficiam quando esses terrenos são vendidos aos privados e a quem, de alguma forma, os favorece por detrás das cortinas públicas.Quando falamos de saúde e desemprego jovem, qual é a visão do PTS?O desemprego jovem em Cabo Verde é uma realidade, muito mais do que o desemprego. Quando falamos da precariedade laboral que existe hoje em Cabo Verde, da desvalorização da mão-de-obra cabo-verdiana, falamos também da falta de oportunidades. Temos quadros formados, falamos da geração mais formada de sempre, que não tem espaço. Questionamos a percentagem de jovens abaixo dos 40 anos no Parlamento cabo-verdiano, questionamos a percentagem de jovens em cargos de decisão como ministro e como secretário de Estado. E hoje está claro que o bipartidarismo sufoca a nossa sociedade, e os desafios que permanecem não conseguem ter resposta, porque está claro que não é do interesse dos partidos do arco do poder resolver os problemas que afectam os cabo-verdianos. As suas maiores preocupações são resolver os problemas dos mesmos, dos seus partidos e daqueles que têm um cartão militante dentro dos partidos do arco do poder.Sendo um partido sem assento parlamentar, procuram uma representação. Caso não consigam, estão dispostos a coligações?Neste momento, o PTS prefere focar-se nas eleições que se avizinham. Estamos no terreno, estamos a fazer o nosso trabalho. A candidatura do PTS é resultado de um clamor social, principalmente da juventude cabo-verdiana. Estamos aqui para ser voz deles e, após as eleições, os resultados que o poder do povo determinar poderão então ser analisados, quando as hipóteses estiverem sobre a mesa.O que distingue o PTS dos outros partidos?O PTS é hoje um partido que mostra caras novas, é um partido renovado. Já está claro que os outros são mais do mesmo. Hoje não se consegue sequer falar de diferença, nem de propostas entre os partidos que estão com assento parlamentar e que fazem parte do arco do poder. O PTS hoje é a voz daqueles que nunca estiveram nem foram considerados dentro do debate político parlamentar. E é isto que nós vamos representar no Parlamento cabo-verdiano: a maioria da população cabo-verdiana, que é jovem, as famílias desfavorecidas, ilhas marginalizadas. Cada cabo-verdiano terá e pode confiar que tem a sua voz representada no Parlamento com o PTS.Por que razão os eleitores devem escolher o PTS?O PTS hoje é resultado de uma juventude capaz, que se apresenta num contexto que o país vive como uma alternativa jovem, responsável e preparada para responder aos desafios reais do país, colocando a polí
O partido fez uma mudança organizacional. Gostaríamos de saber se o PTS está preparado e organizado para estas eleições.
O PTS, após a morte do nosso saudoso e querido presidente Carlos Lopes, Romeu di Lourdis, reuniu as estruturas, os órgãos do partido, e foi deliberado, através da Comissão Política Nacional, que neste período de pós-morte e que antecede as eleições legislativas de 17 de Maio, dever-se-ia ter uma visão mais a longo prazo. Considerou-se que, enquanto vice-presidente, seria uma mais-valia neste percurso ter a minha pessoa como líder até este processo legislativo terminar. E só então realizar o Congresso Nacional, para cumprir o estatuto e eleger uma equipa pelos militantes do partido, conforme nele se determina. O PTS está pronto, é um partido com história que vem desde os anos 90, tendo-se constituído como partido nos anos 2000.
O PTS apresenta uma lista maioritariamente composta por mulheres. Como vê esta questão?
As listas apresentadas nos dois círculos eleitorais a que o PTS se candidata foram aceites pelo tribunal, respeitando a lei da paridade, e nós vemos como natural a presença de mulheres nestas listas, maioritariamente mulheres. Por que não questionamos a maioria masculina em outras listas? Por que haveríamos de questionar a maioria das mulheres nas listas do PTS?
Quais são as principais propostas do PTS para esta legislatura?
O PTS mostra-se hoje como alternativa, posiciona-se como alternativa credível que Cabo Verde precisa para o reforço do debate parlamentar, para que o Parlamento seja, na realidade, um lugar e um espaço onde os problemas dos cabo-verdianos, os desafios que a família cabo-verdiana e principalmente a juventude cabo-verdiana enfrenta, façam parte do debate político. O PTS, já na sua renovação em 2021, deixou claro, ao fazer a mudança da sigla do partido, que passou de P de partido para pessoas (Pessoas, Trabalho e Solidariedade). É centrar nas pessoas, uma política de proximidade com as pessoas, sem perder também a base do PTS, que também tem a ver com o trabalho digno, com a justiça social. Contamos com uma proposta que devemos apresentar de zero casas de tambor, zero casas de barraca, que também tem a ver um pouco com questões de habitação. Os terrenos estão todos na mão daqueles que já possuem algum poder. Aquele que não tem poder monetário em Cabo Verde está a ser marginalizado, discriminado. Os governos calam-se perante esta situação porque os mesmos beneficiam quando esses terrenos são vendidos aos privados e a quem, de alguma forma, os favorece por detrás das cortinas públicas.
Quando falamos de saúde e desemprego jovem, qual é a visão do PTS?
O desemprego jovem em Cabo Verde é uma realidade, muito mais do que o desemprego. Quando falamos da precariedade laboral que existe hoje em Cabo Verde, da desvalorização da mão-de-obra cabo-verdiana, falamos também da falta de oportunidades. Temos quadros formados, falamos da geração mais formada de sempre, que não tem espaço. Questionamos a percentagem de jovens abaixo dos 40 anos no Parlamento cabo-verdiano, questionamos a percentagem de jovens em cargos de decisão como ministro e como secretário de Estado. E hoje está claro que o bipartidarismo sufoca a nossa sociedade, e os desafios que permanecem não conseguem ter resposta, porque está claro que não é do interesse dos partidos do arco do poder resolver os problemas que afectam os cabo-verdianos. As suas maiores preocupações são resolver os problemas dos mesmos, dos seus partidos e daqueles que têm um cartão militante dentro dos partidos do arco do poder.
Sendo um partido sem assento parlamentar, procuram uma representação. Caso não consigam, estão dispostos a coligações?
Neste momento, o PTS prefere focar-se nas eleições que se avizinham. Estamos no terreno, estamos a fazer o nosso trabalho. A candidatura do PTS é resultado de um clamor social, principalmente da juventude cabo-verdiana. Estamos aqui para ser voz deles e, após as eleições, os resultados que o poder do povo determinar poderão então ser analisados, quando as hipóteses estiverem sobre a mesa.
O que distingue o PTS dos outros partidos?
O PTS é hoje um partido que mostra caras novas, é um partido renovado. Já está claro que os outros são mais do mesmo. Hoje não se consegue sequer falar de diferença, nem de propostas entre os partidos que estão com assento parlamentar e que fazem parte do arco do poder. O PTS hoje é a voz daqueles que nunca estiveram nem foram considerados dentro do debate político parlamentar. E é isto que nós vamos representar no Parlamento cabo-verdiano: a maioria da população cabo-verdiana, que é jovem, as famílias desfavorecidas, ilhas marginalizadas. Cada cabo-verdiano terá e pode confiar que tem a sua voz representada no Parlamento com o PTS.
Por que razão os eleitores devem escolher o PTS?
O PTS hoje é resultado de uma juventude capaz, que se apresenta num contexto que o país vive como uma alternativa jovem, responsável e preparada para responder aos desafios reais do país, colocando a política de proximidade, colocando no centro da acção política a dignidade humana, o trabalho digno, a justiça social e a solidariedade nacional. Somos capazes, contamos com todos e sabemos que, através do PTS, o povo cabo-verdiano tem a garantia de que estará representado no nosso Parlamento.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1275 de 06 de Maio de 2026.