Cobranças que fizeram ao Pelé e nunca fizeram ao Messi!
A comparação é inevitável. Aparece um craque em qualquer canto do mundo, inclusive aqui no Brasil, e a pergunta vem na lata: “joga mais ou joga menos que o Pelé?”. O peso da camisa 10 brasileira virou régua. Maradona carregou essa cruz e ficou muito atrás do Rei. Não só na bola, mas na disciplina. […] O conteúdo Cobranças que fizeram ao Pelé e nunca fizeram ao Messi! aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
A comparação é inevitável. Aparece um craque em qualquer canto do mundo, inclusive aqui no Brasil, e a pergunta vem na lata: “joga mais ou joga menos que o Pelé?”. O peso da camisa 10 brasileira virou régua. Maradona carregou essa cruz e ficou muito atrás do Rei. Não só na bola, mas na disciplina. O argentino se perdeu fora de campo, envolvido com drogas, e a história tratou de cobrar.
Agora chegou a vez de Messi. Números? Tem. Gols? Até passou o Rei em alguns rankings. Títulos? Ganhou a Copa do Mundo. Só que tem uma cobrança que nunca chegou nele e que perseguiu Pelé a vida inteira: a cobrança fora de campo, principalmente no campo racial.
Pelé jogou sob regime militar. Um período em que o Estado negava que o Brasil era racista e perseguia quem ousava denunciar. Negro, pobre, do interior de São Paulo, ele virou símbolo do país para o mundo. E mesmo assim foi cobrado. “Por que não fala? Por que não se posiciona?”. Ele falou pouco, é verdade. Mas falou. Em tempos em que falar podia custar caro.
Hoje o jogo é outro. É 2026. Manifestar é quase obrigação. Vinícius Júnior virou a voz principal contra o racismo no futebol e paga um preço alto por isso. Mbappé se posiciona. Lewis Hamilton usa a F1 como palanque antirracista. Vários jogadores africanos e europeus, como Marcus Rashford, Raheem Sterling e Sadio Mané, também levantam a bandeira constantemente. Virou esperado.
E aí vem a pergunta incômoda: onde está a cobrança sobre Messi? A torcida da Argentina virou manchete mundo afora por episódios racistas em estádios. Cânticos, gestos, ataques. Chegou até a ser endossada por membros do próprio governo argentino em alguns momentos. Silêncio. Da imprensa internacional, silêncio. Dos colegas, silêncio. De Messi, silêncio.
Será que a régua é diferente porque ele é branco, argentino, europeu de passaporte? Será que a gente só cobra posicionamento racial de quem é negro?
Pelé foi rei dentro de campo e virou alvo fora dele por algo que não era nem da responsabilidade dele resolver sozinho: o racismo estrutural do Brasil. Messi é gênio com a bola no pé, mas parece blindado de qualquer questionamento fora dele.
Se a cobrança é para todos, que seja para todos. Se o futebol quer mesmo ser antirracista, ele precisa cobrar os maiores, não importa a cor, o país ou quantas Bolas de Ouro tem na estante. Caso contrário, estamos fazendo teatro.
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