Legislativas 2026: MpD aposta na estabilidade e PAICV na ruptura

O partido liderado por Ulisses Correia e Silva apresenta-se como garante da estabilidade, da previsibilidade e da consolidação do crescimento económico registado nos últimos anos. Já o PAICV assume um discurso de ruptura, defendendo uma nova agenda nacional assente em reformas estruturais, redistribuição territorial do poder e promessas de maior inclusão social.A diferença entre as duas plataformas começa logo pela leitura que cada partido faz dos últimos dez anos de governação.O MpD constrói uma narrativa centrada na resiliência do país perante crises sucessivas, desde a pandemia da COVID-19 até aos impactos da inflação internacional e das secas prolongadas e agora a guerra no Médio Oriente. O partido destaca os indicadores macroeconómicos, sublinhando o crescimento económico, a redução do desemprego, a recuperação do turismo e a melhoria das contas públicas como prova de que Cabo Verde avançou apesar de um contexto internacional adverso. O PAICV descreve exactamente o cenário oposto. No programa intitulado “Cabo Verde Para Todos”, o maior partido da oposição classifica as IX e X legislaturas como “um tempo desperdiçado”, acusando o governo de ausência de visão estratégica, incapacidade de concretizar projectos estruturantes e promoção de um crescimento económico sem impacto real na vida da maioria da população. Ao longo do documento, o PAICV insiste na degradação dos transportes, no aumento do custo de vida, na emigração jovem, nas dificuldades do sistema de saúde e no abandono do mundo rural como sinais de um modelo de governação falhado. O partido procura explorar o desgaste social acumulado após uma década de governação do MpD e posicionar-se como alternativa de transformação estrutural.As diferenças entre os dois programas tornam-se ainda mais evidentes na abordagem económica.O MpD aposta claramente na continuidade de uma agenda liberal orientada para o investimento privado, a competitividade e a atracção de capital estrangeiro. O programa enfatiza a modernização da economia, a digitalização, a melhoria do ambiente de negócios e a expansão do turismo e da economia digital. A ideia central é a de um Estado facilitador, capaz de criar condições para o crescimento liderado pelo sector privado.O PAICV, embora também valorize o papel das empresas, coloca maior ênfase na redistribuição dos benefícios do crescimento e na intervenção estratégica do Estado. O documento insiste no combate às desigualdades, no desenvolvimento regional, na industrialização, na agricultura, na economia azul e na necessidade de um crescimento mais inclusivo. A visão do Estado constitui, aliás, uma das maiores linhas de separação entre os dois programas.Enquanto o MpD privilegia uma abordagem mais tecnocrática e funcional, focada na eficiência administrativa e na digitalização dos serviços públicos, o PAICV propõe uma reforma política e institucional. O partido defende regionalização, redistribuição territorial do poder, redução do custo da governação e reorganização da administração pública. A questão dos transportes surge como um dos campos de batalha mais relevantes da campanha. O PAICV dedica largas páginas do seu programa à crítica da gestão dos TACV/Cabo Verde Airlines e da concessão do transporte marítimo interilhas, acusando o governo de privatizações falhadas, degradação do serviço, aumento dos preços e perda de soberania nacional. O MpD, pelo contrário, enquadra os transportes numa lógica de modernização da conectividade e integração territorial, associando-os ao crescimento económico e ao desenvolvimento turístico. A juventude também ocupa lugar central nos dois documentos, embora com abordagens diferentes. O MpD insiste na formação profissional, na empregabilidade, nos estágios e no empreendedorismo jovem, enquanto o PAICV adopta um discurso mais político e social, focado na emigração, na falta de oportunidades, na gratuitidade do ensino superior público e na necessidade de devolver perspectivas à nova geração cabo-verdiana. 

Legislativas 2026: MpD aposta na estabilidade e PAICV na ruptura

O partido liderado por Ulisses Correia e Silva apresenta-se como garante da estabilidade, da previsibilidade e da consolidação do crescimento económico registado nos últimos anos. Já o PAICV assume um discurso de ruptura, defendendo uma nova agenda nacional assente em reformas estruturais, redistribuição territorial do poder e promessas de maior inclusão social.

A diferença entre as duas plataformas começa logo pela leitura que cada partido faz dos últimos dez anos de governação.

O MpD constrói uma narrativa centrada na resiliência do país perante crises sucessivas, desde a pandemia da COVID-19 até aos impactos da inflação internacional e das secas prolongadas e agora a guerra no Médio Oriente. O partido destaca os indicadores macroeconómicos, sublinhando o crescimento económico, a redução do desemprego, a recuperação do turismo e a melhoria das contas públicas como prova de que Cabo Verde avançou apesar de um contexto internacional adverso.

O PAICV descreve exactamente o cenário oposto. No programa intitulado “Cabo Verde Para Todos”, o maior partido da oposição classifica as IX e X legislaturas como “um tempo desperdiçado”, acusando o governo de ausência de visão estratégica, incapacidade de concretizar projectos estruturantes e promoção de um crescimento económico sem impacto real na vida da maioria da população.

Ao longo do documento, o PAICV insiste na degradação dos transportes, no aumento do custo de vida, na emigração jovem, nas dificuldades do sistema de saúde e no abandono do mundo rural como sinais de um modelo de governação falhado. O partido procura explorar o desgaste social acumulado após uma década de governação do MpD e posicionar-se como alternativa de transformação estrutural.

As diferenças entre os dois programas tornam-se ainda mais evidentes na abordagem económica.

O MpD aposta claramente na continuidade de uma agenda liberal orientada para o investimento privado, a competitividade e a atracção de capital estrangeiro. O programa enfatiza a modernização da economia, a digitalização, a melhoria do ambiente de negócios e a expansão do turismo e da economia digital. A ideia central é a de um Estado facilitador, capaz de criar condições para o crescimento liderado pelo sector privado.

O PAICV, embora também valorize o papel das empresas, coloca maior ênfase na redistribuição dos benefícios do crescimento e na intervenção estratégica do Estado. O documento insiste no combate às desigualdades, no desenvolvimento regional, na industrialização, na agricultura, na economia azul e na necessidade de um crescimento mais inclusivo.

A visão do Estado constitui, aliás, uma das maiores linhas de separação entre os dois programas.

Enquanto o MpD privilegia uma abordagem mais tecnocrática e funcional, focada na eficiência administrativa e na digitalização dos serviços públicos, o PAICV propõe uma reforma política e institucional. O partido defende regionalização, redistribuição territorial do poder, redução do custo da governação e reorganização da administração pública.

A questão dos transportes surge como um dos campos de batalha mais relevantes da campanha. O PAICV dedica largas páginas do seu programa à crítica da gestão dos TACV/Cabo Verde Airlines e da concessão do transporte marítimo interilhas, acusando o governo de privatizações falhadas, degradação do serviço, aumento dos preços e perda de soberania nacional.

O MpD, pelo contrário, enquadra os transportes numa lógica de modernização da conectividade e integração territorial, associando-os ao crescimento económico e ao desenvolvimento turístico.

A juventude também ocupa lugar central nos dois documentos, embora com abordagens diferentes. O MpD insiste na formação profissional, na empregabilidade, nos estágios e no empreendedorismo jovem, enquanto o PAICV adopta um discurso mais político e social, focado na emigração, na falta de oportunidades, na gratuitidade do ensino superior público e na necessidade de devolver perspectivas à nova geração cabo-verdiana.