Profissionais negros ocupam menos cargos de gestão mesmo com mais qualificação
Um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo aponta que profissionais negras e negros ainda enfrentam barreiras estruturais para alcançar cargos de liderança, mesmo apresentando maior nível de qualificação. A pesquisa analisou escolas da rede estadual de ensino e identificou que pessoas negras precisam, em média, de mais formação acadêmica do que pessoas brancas para […] O conteúdo Profissionais negros ocupam menos cargos de gestão mesmo com mais qualificação aparece primeiro em Revista Raça Brasil.
Um estudo da Universidade Federal do Espírito Santo aponta que profissionais negras e negros ainda enfrentam barreiras estruturais para alcançar cargos de liderança, mesmo apresentando maior nível de qualificação.
A pesquisa analisou escolas da rede estadual de ensino e identificou que pessoas negras precisam, em média, de mais formação acadêmica do que pessoas brancas para ocupar funções de gestão.
Desigualdade mesmo com alta formação
De acordo com o levantamento, 100% das pessoas negras que ocupam cargos de coordenação pedagógica possuem mestrado ou doutorado. Já entre profissionais brancos na mesma função, a maioria possui apenas especialização.
Apesar disso, a presença negra nesses cargos é significativamente menor:
- pessoas negras ocupam 18,2% das funções de gestão
- pessoas brancas concentram 59,1% dos cargos
Os dados indicam que a qualificação, por si só, não garante igualdade de acesso às posições de liderança.
Racismo institucional como barreira
Segundo o pesquisador responsável pelo estudo, o cenário evidencia a existência de uma “barreira invisível” na ascensão profissional de pessoas negras.
Esse fenômeno está relacionado ao racismo institucional, que dificulta o acesso a espaços de decisão mesmo quando há preparo técnico equivalente — ou superior.
Impactos no ambiente escolar
A pesquisa também aponta que a coordenação pedagógica é um espaço estratégico dentro das escolas, sendo responsável por articular processos formativos e políticas educacionais.
Nesse contexto, a baixa presença de profissionais negros em cargos de gestão pode impactar diretamente a implementação de políticas de educação antirracista.
Negacionismo e desafios
Outro dado relevante do estudo revela que parte dos profissionais da educação ainda não reconhece o racismo como fator estrutural:
- 27,3% não acreditam que o racismo contribua para evasão escolar
- 18,1% afirmam que não há racismo nas práticas pedagógicas
Para os pesquisadores, esse “negacionismo” dificulta o avanço de políticas públicas voltadas à equidade racial.
Um problema estrutural
Os resultados dialogam com outras pesquisas no Brasil, que mostram que o principal obstáculo à ascensão de profissionais negros não é a falta de qualificação, mas o acesso desigual a oportunidades e redes de decisão.
O estudo reforça a necessidade de políticas efetivas que garantam não apenas formação, mas também acesso equitativo a cargos de liderança.
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